Viral Learning Center

novembro 30, 2006 às 8:05 pm | Publicado em Cool | 1 Comentário

Tem nego por aí que pagaria muita grana para participar, hein?

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“Inspiração” I

novembro 29, 2006 às 3:59 am | Publicado em Ad, Inspiring | 4 Comentários

Hoje estou inaugurando mais uma seção aqui no AdWebFreak. Ela trata de “inspirações”, um tema muito recorrente para nós. E inspirações com aspas mesmo, porque aqui vamos falar daquelas clássicas chupadas que tanto constrangimento causam para quem as faz e para os publicitários num geral. Mas justiça seja feita, nem sempre é assim. Muitas vezes o que uma marca faz é parodiar a outra ou, o que é mais normal ainda, tirar algumas referências importantes.

Vamos falar de todos esses casos ao longo das edições dessa nova seção de posts, mas por hora, vamos começar com uma que foi uma das mais surpreendentes das últimas semanas. Balls, da Sony Bravia foi chupado de um quadro de David Letterman do começo da década de 90. Nem acreditei quando eu vi, mas depois que assisti aos dois filmes ficou bem clara a “inspiração”.

E já que estamos falando de Balls, é bacana lembrar algumas chupadas que ele levou, na forma de paródias. O mais famoso foi a marca de suco Tango, que fez um anúncio de oportunidade fazendo rolar frutas pelas ruas com a mesma edição, mesma música… o grande diferencial é que como eles assumiram ser uma paródia, o bom humor rolou solto.

Outra paródia muito divertida é a do vibrador Sphere Myla, que também não quis perder a oportunidade de chupar a Sony. A música não é igual, mas as cenas das bolas caindo e o slogan não deixam dúvidas da “inspiração”.

Só que aí, de tanta chupada que o Bravia tomou, tudo o que aparece com forma de bolas em qualquer filme a galera já começa a apontar o dedão e falçar que trata-se de outra chupada. É o caso de dois filmes nacionais, e mais ainda, duas cervejas nacionais concorrentes: a Sol, em que bolas de frustração saem da cabeça das pessoas e a Skol Lemon, que mostra uma cena com zilhões de limões vindo juntos para cima da fábrica da cerveja, como se fora uma avalanche. Vejam os dois.

Eu não acho que nenhuma das duas foi chupada. As vezes rola uma perseguição injustificada para qualquer um que utiliza elementos de um filme de muita repercussão. Acredito que esse seja um caso típico. E vocês, o que acham?

O original pra quem não conhece…

UPDATE: outra campanha que se “inspira” em Balls. Só que dessa vez a chupinhada é dupla: a estética é de Balls, mas a trilha é de AXE.

Rock Dot Rock

novembro 24, 2006 às 12:35 am | Publicado em Cool, Web | 4 Comentários

Recentemente saiu um estudo pela TNS que aponta as motivações das pessoas pela publicidade. Em linhas gerais, foi perguntado aos entrevistados o que eles esperam dela. 70,5% respoderam na lata: queremos diversão. Diante desse expressivo resultado, foi perguntado também se elas acham a publicidade chata. Não deu outra, 53,3% dos entrevistados responderam afirmativamente.

Fica até cliche falar, mas isso é mais uma prova de como a comunicação mudando drasticamente.

Quem parece que entendeu direitinho o recado foi a Symantec, que está fazendo uma ação muito bacana para divulgar seu novo software, o Norton Confidential. Ela é bastante inovadora e bem adequada a esse cenário. A idéia foi montar uma banda de rock patrocinada pela marca. Seus temas são uma combinação de rock e Symantec, ou seja, ela fala sobre sexo, drogas e antivirus.

Segundo a própria Rock Dot Rock em seu site, essa é a primeira adverband do mundo (lembra dos “advers“?).

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Pela foto dá pra notar pelo menos duas coisas: eles são realmente patrocinados pela Symantec (se não bastasse o logão deles no cartaz, o uniforme dos caras é todo preto e amarelo). A outra coisa é que a Symantec quer tirar os caras só da internet para colocá-los também nos palcos.

Só que olhando com atenção, há uma terceira coisa que dá pra notar: sim, isso mesmo, eles são meio toscos. No entanto, como eu achei meio leviano julgá-los apenas por uma foto, resolvi pesquisar mais para formar uma opinião.

Essa foto (do site oficial) ajudou bastante no meu veredicto.

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Bom, mas para ter certeza, certeza mesmo, fui atrás de mais coisas e acabei achando o clipe de Is it Really You?, o “hit” dos caras. Ele ajudou bastante e acabou sendo a prova definitiva da tosquice de Rock Dot Rock da Symantec.

Quero crer que isso foi completamente intencional e que a Symantec está com uma pegada Long Tail para ganhar a galera justamente por causa da tosqueira. Seria muito chato pensar que uma idéia tão legal e tão adequada com as novas tendências da comunicação moderna como essa fosse mal aproveitada por motimos execucionais.

Mas mesmo considerando a hipótese de que os caras erraram a mão na execução, acho que a iniciativa é ótima. Hoje em dia o modelo 30″ está colando cada vez menos. As pessoas não querem mais ser interrompidas pela publicidade quando estão fazendo algo que curtem. Pelo contrário, o relacionamento entre as pessoas e as marcas está mudando tanto, que hoje o consumidor exige que sua marca lhe proporcione diversão, entretenimento, que pelo menos parte disso seja de graça e que tenha conteúdo opensource para ele contribuir.

Essas ações estão ficando cada vez mais recorrentes lá fora, mas aqui no Brasil se vê muito pouco. É melhor as marcas e as agências daqui começarem a se coçar, porque isso pode nos parecer uma realidade muito distante, mas eu acho que ela está mais próxima do que se imagina.

Graças a dica do Vitor.

Abaixo a ditadura! Viva o chocolate!

novembro 22, 2006 às 3:02 am | Publicado em Atitude | 5 Comentários

Aproveitando que só se fala disso ultimamente, esse seria um bom título para o manifesto que algumas modelos fizeram contra a indústria opressora da moda, que exige magreza absoluta de quem sobe nas passarelas.

A idéia foi que elas tirassem fotos se lambuzando com várias barras de chocolate, para mostrar que a vida que vale a pena mesmo é aquela que você não precisa se privar das coisas que gosta, mesmo que elas engordem um pouquinho.

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Gostei muito da iniciativa dessas meninas, que certamente deram uma contribuição importante para a concientização tanto das agências quanto das próprias modelos que acima de toda e qualquer beleza está a saúde e o bem-estar das pessoas.

A Arte do Planejamento: Verdades e Mentiras sobre a Propaganda

novembro 20, 2006 às 11:18 pm | Publicado em Inspiring | 4 Comentários

Segundo boa parte dos formadores de opinião da área, como Russell Davies, Jon Steel escreveu o melhor livro da disciplina Planejamento de Comunicação. E para isso, curiosamente não precisou seguir o caminho de outros “gurus” e criar novos modelos mirabolantes ou fórmulas mágicas para se fazer um planejamento de sucesso.

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Acho que isso se dá até porque não se trata de um livro tecnicista. Ele não escreve um grande livro de receitas com um capítulo dedicado aos passos de um brief, um outro aos de pesquisa, um outro aos de apresentações etc. É um livro que trata de reflexões e pontos de vista sobre as experiências que Steel teve ao longo da vida pelas agências que passou. Acho que exatamente por não ser “cagação de regra” o livro é tão inspirador.

Por exemplo, ele fala bastante sobre brief. Um capítulo todo. No entanto, lendo eu senti que ele me passou muito mais o que deve ser um bom breif do que os passos que eu tenho que seguir. Obviamente, ele falou que tem que conter a análise do cenário, descrições claras do target, promessa etc. Mas ele se preocupou muito pouco com modelos, deixando mais espaço para a essência do brief, que é ser algo ao mesmo tempo informativo e inspirador para o pessoal da criação. Com isso, ele conseguiu deixar bem claro que o brief não é um formulário a ser preenchido pelo planner e entregue ao criativo via tráfego.

Uma coisa muito bacana desse livro é que ele discute bastante qual o real papel do planejamento, qual sua importância e como pode ajudar o processo de desenvolver uma campanha vencedora. Impressiona nessa discussão a humildade de Steel. Ele faz uma analogia dizendo que o planejamento deveria ser como o Serviço Secreto Britânico: se fizer otrabalho bem feito, ninguém saberá que ele está ali. Para ele, tudo o que importa é que o planejador cumpra sua função, ou seja, fazer a melhor publicidade possível para atingir os objetivos comerciais do cliente, se diferenciar da multidão e dizer as coisas certas para as pessoas certas, estimulando-as a agir como resultado da mensagem que acabaram de ver ou ouvir.

Um outro assunto que é bastante abordado é a questão da pesquisa para pré-testar as idéias. A polêmica nesse assunto é grande, mas Steel coloca a sua posição, dizendo que é uma coisa importante e que se ele fosse gerente de produtos e assinasse o cheque certamente também a faria. No entanto, ele não adota essa pesquisa como a verdade absoluta e algo que deve ser seguido em 100% dos casos. Segundo ele, é função do planejador primeiramente garantir que a pesquisa seja bem conduzida, de forma agradável, num ambiente propício e conseguindo que os pesquisados atinjam o maior nível de descontração e relaxamento possíveis. E a outra coisa fundamental é que ele use a intuição e confie na sua idéia em certos casos, mesmo que a pesquisa indique o contrário.

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Para encerrar o livro com chave de ouro, Steel conta um dos casos mais vencedores, senão o mais vencedor de sua carreira. Trata-se do já histórico Got Milk?, campanha de incentivo ao consumo de leite desenvolvida para os Produtores de Leite da Califórnia (mas que virou logo nacional devido ao grande sucesso). A campanha é fantástica, mas seus bastidores e a construção da idéia são mais ainda, além de servirem para reforçar os conceitos e experiências que Steel relata durante todo o livro. Postei abaixo duas das melhores execuções dessa grande idéia estratégica, que ele conta com mais detalhes (inclusive os ad tests) no último capítulo do livro.

Pra quem se interessa pelo assunto, acho que essa é a pedida certa, até porque apesar de complexo na sua essência, esse é um livro que além de tudo é muito fácil de ser lido e compreendido. É uma prova viva de que para se fazer um excelente livro, com conteúdo bastante profundo não é necessário ser daquele tipo metidão que escreve livros herméticos apenas para uma meia dúzia de engomadinhos que fazem MBA e se acham o máximo por isso.

Videogame Wars

novembro 16, 2006 às 11:19 am | Publicado em Cool | 5 Comentários

Está cada vez mais quente no mercado a briga entre o Wii da Nintendo, o XBOX 360º da Microsoft e o Playstation 3 da Sony. Os três vem muito fortes nesse natal, cada um com o seu diferencial próprio para tentar abocanhar share.

O Play 3 talvez seja o mais esperado deles, muito pela revolução que foi o Play 2. Os principais diferenciais da versão 3 são o seu potente processador Cell, que lhe permite velocidade e uma alta definição de imagem e som; o espaço interno que chega a 60 GB na versão mais completa; e um leitor que roda blue-ray, provável substituto do DVD. É destruidor. Tipo uma Ferrari dos videogames.

Só pra ter uma noção da expectativa que se criou em torno dele, no Japão tinha nego se estapiando nas portas das lojas para poder garantir o seu antes que acabasse tudo. Foi absurdo! E isso mesmo sabendo que de início ele tem problemas de compatibilidade com jogos das outras versões e o preço mais salgado da categoria: U$600,00.

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Em termos de comunicação o PS3 não vem tão forte quanto se esperava. O site até que é bacana, mas os filmes são bem fraquinhos na minha opinião.

O outro lançamento dese final de ano é o Nintendo Wii. Mas já de cara é bom falar que se a questão é “potência”, ele não manda tão bem quanto o Play 3. O processador não é tão bom, a definição da imagem é semelhante ao Game Cube e o som é meia boca. Ah, em termos de acesso a internet ele também perde de longe para o XBOX 360º. Porra, mas é uma merda esse videogame então, você deve estar pensando.

A questão, é que a Nintendo vem com uma pegada diferente para o Wii. O diferencial não é técninco. A idéia deles é revolucionar o modo como as pessoas jogam videogame. Com controles que reproduzem o movimento das nossas mãos na tela, o Wii pretende quebrar o paradigma de jogador de videogame sedentário. Imagine você jogando tênis no Wii com esse controle. Dá pra ficar sentado? Além de ser uma novidade que tem tudo pra sacudir o mercado, a Nintendo ainda conseue abocanhar alguns públicos que jamais se interesariam por videogames com controles cheios de triângulos, bolas, quadrados, Rs e Ls. É muito fácil brincar. Se imagine lá dentro, faça os movimentos e pronto.

Em termos de comunicação, o Wii não apresentou muita coisa, mas uma em especial mostra que eles já sacaram o potencial viral que as coisas tem hoje em dia, além do potencial dos consumidores em contribuirem com conteúdo para as marcas que elas gostam. Nessa perespectiva, surge o Wii Experience, um site que tem o propósito de fazer com que você se filme jogando Wii e publique lá. Assim, todo mundo pode ver as bizarrices que rolam quando alguem se empolga muito brincando com o Wii.

Rolou também um 30″, mas eu achei tão fraquinho quanto o do Play 3.

Por fim, o temos o XBOX 360º, que apesar de ter sido lançado no final do ano passado, entra na briga com os lançamentos desse ano. Em termos gerais, o XBOX 360º é o mais equilibrado dos três. Não é tão potente quanto o Play 3, mas não deixa a desejar em nenhum quesito; não é tão legal quanto o Wii, mas dá uma surra em qualquer um em termos de acesso a internet e compatibilidade com outros aparelhos, como um PC. Nessa nova versão, dá praticamente para usar seu home theater como um anexo do seu PC, podendo rodar vídeos, tocar música, passar fotos etc. E o lance de internet, nem precisa lembrar que o XBOX é show. É com toda certeza a maior rede de games virtuais do mundo todo.

Além desse equilíbrio todo de features, o XBOX 360º é com certeza meu favorito em termos de comunicação. Tá certo que ele teve mais tempo pra mostrar coisas bacanas do que os outros, mas tenho que falar do que eu vi, certo? E o que eu tenho notado é que a idéia dos caras é sempre a de dar vida a brincadeiras que todos nós já fizemos um dia, só que em enormes proporções. Sempre que vejo um filme dos caras eu ´fico pensando que tesão que seria poder estar lá. E vocês, não bate uma nostalgia?

Um desses filmes eu já postei anteriormente quando falei de advertainment. Confira o outro.

Agora animal mesmo foi o que o filme que eles fizeram com cordas para celebrar o seu conceito Jump In. Os caras tiveram a manha de fazer um Flash Mob de um minuto com pessoas fazendo loucuras com cordas e saindo como se nada tivesse acontencido. Total conceito de Happening mesmo. Genial!

Bom, minha conclusão sobre toda essa história de videogame é que no natal eu quero que apareça na lareira da minha sala um videogame potente que nem o Play 3, com a jogabilidade do Wii e a comunicação do X BOX. Será que o Bom Velhinho encara essa?

Quem me deu a dica do tema desse post foi o meu parceiro Bazán, planner da Capital Pessoal. Valeu, Bazán!

Outubrounada

novembro 11, 2006 às 4:46 am | Publicado em Ad, Inspiring | 8 Comentários

Rolou recentemente a Outubrounada, balada mais quente do ano ecano (por ecano, entenda-se algo referente ao universo da Escola de Comunicações e Artes da USP).

O evento foi bem legal, mas durante á organização ela estava passando por graves problemas. Os principais eram referentes à data, já que aconteceria uma semana depois da Anastácia (outra balada ecana que bomba) e uma antes do BIFE, jogos universitários entre ECA, FAU, Biológicas e IME. O povo tinha torrado a grana na balada e estava guardando o restinho para os jogos. Resultado: o target deles estava quebrado. E todo mundo sabe que quando o problema é bolso, o papel da comunicação fica 1 milhão de vezes mais essencial. Ah, falando nisso, tava até esquecendo, faltavam apenas duas semanas para a festa e os caras estavam totalmente atrasados com a comunicação tradicional de cartazes e flyers.

É, pareceia que não ia ter jeito. Era melhor aceitar que a balada seria um grande fracasso.

No entanto, como estamos falando de uma boa escola de comunicação, não era possível que não houvesse nada a fazer para dar um jeito nesse desastre anunciado que seria a Outubrounada. Parece que eles também pensaram assim, e sob a direção do meu brother Luiz Yassuda, ex-parceiro de ECA Jr. e atual criativo da Espalhe, vestiram todos coletes camuflados, botas e munição e foram para a guerra, ou melhor, para a guerrilha.    

Como eu mencionei, o maior significado que a festa carrega é o seu alto grau hormonal. E já que é assim, eles fizeram de tudo para deixar esse significado bem presente para todos, botando aquela pilha na galera. A idéia era fazer eles perceberem que essa balada ia ser histórica e ninguem poderia perdê-la.

E assim foi. Tudo começou com uma ação bem simplezinha. Os caras pegaram um desses canetões e, aproveitando-se da cultura jovem de escrever em banheiros públicos, picharam na parede dos banheiros da ECA: “Quem você pegaria na Outubro?”.

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E não é que teve gente respondendo…

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Só que eles sabiam que se usassem só o emocional não teriam sucesso total. A galera estava sem grana e precisava também de um benefício racional para validar essa decisão de ficar no vermelho mas ir pra festa. Então, os caras começaram a soltar um boato que a Diageo bancaria as bebeidas da festa (open bar) a noite inteira. Isso já começava a soar interessante para o pessoal. Uma coisa que ajudou o boato, foi que um dos organizadores centrais da festa ficava andando pra lá e pra cá com uma pastinha transparente e um documento fake desse acordo com a Diageo dentro (tinha até o logo deles e o caramba).  

Como estava ando certo, pra reforçar mais ainda essa história, os caras soltaram pelos murais da ECA uma carta de repúdio à ECAtlética (organizadora), dizendo que era um absurdo que os ecanos estivessem “abrindo as pernas” para o capital estrangeiro, associando-se a uma grande coorporação internacional (a Diageo no caso). Deu a impressão de que a carta teria sido redigida pelo Centro Acadêmico (CA), que historicamente levanta a bandeira vermelha pelas ruas e corredores da ECA. Isso serviu para dar um clima de que a festa era errada e que a iniciativa do acordo era prejudicial. Como jovem adora transgredir uma regrinha e fazer coisa errada, isso desafiaria o público, além de consolidar mais ainda o boato.

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Como a repercussão do folheto foi ótima e realmente rolou um burburinho em cima desse embate comunista vs. capitalista; atlética vs. centro acadêmico, os caras resolveram levar essa história até as últimas consequências. A  tirar um barato da cara do CA e promover uma votação na Quinta e Breja (happy hour semanal da ECA). O pleito tinha o objetivo de fazer com que o público decidisse como deveria ser a divulgação da Outubrounada desse ano, já que houve coisas polêmicas nos outros anos, o que enfuresceu o CA, que chegou ao extremo de queimar cartazes da Atlética em praça pública. O engraçado mesmo eram as opções da cédula que incluiam coisas como “gostosas semi-nuas entregando flyers”. Só por curiosidade, foi essa mesmo que ganhou.

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Como se tratava de uma campanha de guerrilha, eles não poderiam ter deixado a internet de lado. E não deixaram mesmo. Além do tradicional e-mail marketing, rolaram duas ações mais bacanas. Uma delas foi no orkut, com a criação de três perfis fake, que se passavam por alunos de outras unidades da USP que tinham ouvido falar da festa e queriam saber mais sobre ela. Eles falavam, por exemplo, que ouviram dizer que a Outubro seria a festa do chantily, que ia pegar fogo etc. E o melhor é que os ecanos respodiam confirmando os boatos e botando pilha para os forasteiros irem.

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E por fim, rolou também um viralzinho da edição de 2005, principalmente para os bixos poderem ver os melhores momentos, se é que vocês me entendem. Bom, se não entenderam confiram ae:

E o melhor de tudo é que a camapanha deu resultado. A balada acabou alcaçando o break even e até tirou um lucrinho para começar a fazer próxima. Não foi nenhum sucesso absurdo de público, porque, como todos sabemos, temos que encarar a realidade de que a comunicação não faz milagre. Para ter sido um sucesso total era necessária uma grande convergência de fatores, o que não aconteceu nessa festa. Mas a comunicação fez sua parte muito bem feita e contribuiu muito pra salvar o evento do fracasso total.

Fiquei muito contente de ver esse tipo de ação sendo feita na ECA. Mostra que a galera tá antenada nas tendências da comunicação moderna e criando açternativas que sobram em ousadia e criatividade. Parabéns mesmo a todos os envolvidos e, em especial, ao Yassuda, idealizador da campanha e diretor geral de todas as ações.  

Sociedade das Idéias

novembro 9, 2006 às 4:40 am | Publicado em Ad, Inspiring | 6 Comentários

Rolou ontem (07/11) a Sociedade das Idéias, 1º Conferência de Planejamento brasileira, realizada pelo Grupo de Planejamento, o GP. Ela foi pensada para ser no mesmo esquema da conferência gringa, a AAAA Account Planning Conference. A sua idéia central foi discutir as idéias que estão transformando o relacionamento entre as pessoas e as marcas (tal qual diz o texto no próprio logo do evento).

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Quem abriu o evento foi Marina Campos, consultora e atual presidente do GP. Ela mostrou um censo realizado pelo grupo com planejadores das Top 50 agências nacionais segundo o meio & mensagem. Teve resposta de tudo que é tipo, mas uma coisa me chamou atenção: o assunto que o planejador brasileiro mais quer discutir é o seu papel nas agências. Deve ser porque segundo o censo a maioria dos planejadores são na verdade planejadoras. E cá pra nós, mulher adora discutir a relação, né?

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Depois disso, Daniel de Tomazo e Ken Fujioka, ambos da JWT, fizeram uma apresentação arrasadora sobre a conferência e principalmente sobre seu tema. Deram foco especialmente no que eles acreditam que é uma idéia de verdade para uma marca, ou seja, algo que faça as pessoas terem vontade de interagir com ela, doando seu tempo e sua disposição por livre e espontânea vontade. Para eles, as idéias não interrompem as pessoas, e sim fazem com que elas se entretenham. Os caras destruiram com uma apresentação super dinâmica, bem feita, engraçada… não tinha como desgrudar o olho deles durante um segundo sequer.

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As atrações seguintes foram Ary Nogueira, Diretor de Recursos Artísticos da Rede Globo e Pedro Dória, blogueiro e editor do NoMínimo. Ary, que atua como Diretor de Recursos Artísticos da Rede Globo, mostrou muito dos bastidores da produção de talentos e conteúdo na emissora, além de desmitificar uma série de pensamentos que temos a respeito desses processos. Ele fez algumas conexões importantes com o nosso trabalho de planejador, dizendo, entre outras coisas, que uma idéia deve ser no mínimo simples e emocionante. Já Pedro Dória, fez uma abordagem mais neomidiática, mostrando basicamente como é a relação de credibilidade da notícia e das pessoas que dão notícia. Nessa perspectiva, mostrou ainda como os blogs estão ganhando força dentro do contexto de transmissão de informação online. Sua contribuição para os planners veio na lata: não enganem as pessoas porque isso pode ser um tiro no pé, referindo-se claramente às estratégias de buzz marketing que temos visto por aí, das quais ele inclusive já foi vítima.

Para finalizar a primeira parte do dia, houve um painel abordando pesquisa e idéia criativa. Lá, clientes (Ricardo Monteiro da Reckitt Benckiser), planners (Marlene Bregman da Leo Burnett) e pesquisadores (Celuta Machado da Percepto; Márcio Saliby da IPSOS e Silvia Quintanilha da Millward Brown) discutiam entre si e com o público qual é a real importância dos pré e pós-testes das idéias criativas, além de questões metodológicas, de relacionamento entre as partes envolvidas etc. Apesar de cada um meio que tentar defender o seu de forma velada, o conteúdo da discussão foi bem rico, com destaque para as fortes opiniões de Marlene Bregman, que arrancou palmas da galera quando se comparou a Martin Luterking e disse que “tem um sonho” de ver metodologias bacanas de pesquisa ajudando de fato as idéias criativas a florescerem.

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Na segunda parte do dia, houve sessões paralelas, em que três planners (Rita Almeida da Capital Pessoal, Pedro Cruz da Mattos Grey e Jurandir Craveiro da NBS) faziam palestras simultâneas durante mais ou menos uma hora. Ao fim das apresentações, havia um repeteco de cada um deles, para que a galera pudesse ver no mínimo dois dos três planners. O que eu vi foi o da Rita Almeida, que se concentrou em mostrar como as vezes a criatividade execucional dá uma maquiada numa idéia fraca. Ela apresentou uma espécie de um funil, que tinha sua sustentação na idéia, passava pela criatividade e chegava na execução. Para ela, muitas agências invertem o funil e trabalham na superficialidade da idéias, ancoradas numa bela execução. Bela, porém, insustentável e inconsistente. Uma sacada que eu achei genial nessa apresentação foi o case das Organizações Tabajara. Não, você não está lendo errado, é isso mesmo. Ela teve a manha de mostrar que o Casseta e Planeta sim tem uma brand idea nas Organizações Tabajara e sempre criam idéias relevantes para a vida do consumidor. Foi bem interessante isso.

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A penúltima palestra da conferência foi dada por Walter Susini, homem forte do marketing de coca-cola para América Latina. Essa foi uma das apresentações que eu mais gostei durante todo o dia. Todo mundo estava esperando que ele fosse dar uma aula de coke side of life, mas não. Susini falou mesmo da relação cliente-agência e de como os planners deveriam se enquadrar nisso. A palestra foi quase um desabafo, e a menssagem principal dese era: “mantenham os seus pés na nuvens”. A crítica foi explícita e direta aos publicitários que querem ficar inventado de fazer MBA pra tomar conta do negócio do cliente. Ele acha que desse jeito os dois lados começa a falar a mesma lingua e isso não é bom para ninguem. Ah, já ia esquecendo, no comecinho, antes de iniciar de fato, Susini mostrou uns 6 vídeos de Coca-Cola e Sprite. Confira um deles:

Pra fechar com chave de ouro a conferência, tivemos a apresentação Emma Cookson,
Global Head of Account Planning da BBH Worldwide. Sua palestra fechou incrivelmente bem o evento, pois ceio totalmente ao encontro do que falaram Ken Fujioka e Daniel de Tomazo lá no comecinho. A palestra chamava-se “Stop Talking” e era sobre parar de falar mesmo. Na visão dela, a comunicação no estágio em que se encontra tem que parar de enviar mensagens e obter envolvimento e participação das pessoas. Para tanto, ela acredita que o caminho é o entretenimento e a publicidade tem que entender que tem dois caminhos: entreter o consumidor ou continuar enterrompendo-o em seus momentos de entretenimento. Ela citou um exemplo que me pareceu muito bom, de um viral que a Smirnoff soltou para promover sua nova bebida, o Raw Tea. O vídeo é um clipe de uns rappers mauricinhos de Princenton a respeito de uma Tea Party. Ficou tão legal, que passa inclusive na programação regular da MTV.

Bom, enfim, foi isso. Eu adorei a Sociedade das Idéias. Achei uma iniciativa fantástica do GP e espero muito que ocorra todos os anos, porque isso só tende a fortalecer os planejadores e sua participação junto aos clientes, aos criativos e aos pesquiseiros. Além disso, o que é apresentado é muito rico e essa troca de experiências e conhecimentos é sempre importante para qualquer segmento ou profissão.

Minha ausência nos posts aqui no AdWebFreak deveu-se ao falecimento do meu PC na última semana. Por sorte, um médico de confiança conseguiu ressucitá-lo e pude voltar à ativa novamente. Aliás, por que vocês não visitam meu novo blog, aqui?

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