Vírus, vacina e morte

dezembro 26, 2006 às 7:45 pm | Publicado em Ad | 3 Comentários

Todo mundo tem conhecimento do que é um vírus e de como ele pode fazer mal para o nosso organismo. Não faz muito tempo que foi descoberto um novo tipo de vírus que está causando preocupação na comunidade médica: é o chamado markitin modernus, causador do terrível “Marketing Viral”. A forma de contração é imprevisível. Você poderia contraí-lo de diversas maneiras, mas em 90% dos casos, você receberá um link para habitat natural desses seres, o chamado YouTube.

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Seus sintomas imediatos são os mais diversos, como surpresa, espanto, gargalhadas e dúvida. No entanto, o sintoma mais terrível do Marketing Viral (padrão para todos os casos de contração do markitin modernus) é uma vontade incontrolável de passar o vírus para frente. Isso mesmo, não contentes em contraí-lo, os doentes sentem um prazer quase sádico em transmitir o vírus para que outros também fiquem doentes.

Mas assim como na maioria das doenças, está sendo desenvolvida uma vacina contra o Marketing Viral. E da mesma forma como nas outras vacinas, ela também encontra no próprio vírus sua matéria prima. Estudos recentes mostram que na medida em que as pessoas vão sendo atingidas por uma quantidade absurda desses virus, seu sistema imunológico vai se ativando e ela começa a criar anticorpos poderosos contra o Marketing Viral. O resultado em médio prazo, acreditam os especialistas, é a morte do markitin modernus, que deixará de ocupar um espaço importante na vida das pessoas. Se a vacina tiver êxito, elas deixarão de ter o principal sintoma da doença, isto é, aquela vontade sádica e incontrolável de repassar o vírus. Elas poderão até contraí-lo, devido sua imensa quantidade, mas deixarão de transmití-lo, o que baixa consideravelmente seu potencial destrutivo.

No entanto, há um tipo raro de vírus dentro do Marketing Viral para o qual ainda não se faz a menor idéia de como desenvolver uma vacina eficaz. Trata-se do ideas relevantis, um virus semelhante ao markitin modernus, mas com um potencial muito maior. A sua peculiaridade que o torna tão potente é a capacidade de conhecer a mente das pessoas e descobrir o que elas realmente pensam, quem realmente elas são e como elas permitiriam que o virus passasse mais tempo com elas. Dessa forma, quando contraem o vírus, além de ter muito mais vontade de passá-lo adiante, os receptores estabelecem um relacionamento com os agentes transmissores, que passam a ter um papel e um espaço na vida deles.

Além disso, a forma do ideas relevantis é muito mais variada e criativa do que a do markitin modernus. Ele pode ser transmitido no meio da rua, por meio de uma conversa, pela TV, pelo rádio, por e-mail, pelo próprio YouTube ou por onde mais der. Isso acaba fazendo com que o receptor tenha cada vez menos chance de se proteger. É um ataque sem aviso e sem direção certa.

Mas como eu disse anteriormente, o ideas relevantis é raro. Os agentes transmissores são poucos e as pessoas impactadas também. O Marketing Viral ainda tem como seu principal virus o markitin modernus, que felizmente já tem uma vacina em desenvolvimento. Sua salvação será o ideas relevantis, que talvez tenha vida muito mais longa pela profundidade de sua penetração e pelas variadas formas de contração. Provavelmente ele deixe de existir quando deixar de ser raro, quando virar luga comum e perder seu apelo. Então, seu destino será se enforcar com sua própria corda, assim como a maioria dos vírus que já passaram por nós.

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“Inspirações III”

dezembro 22, 2006 às 2:33 am | Publicado em Ad | 3 Comentários

Dessa vez eu vou falar de um tipo diferente de “inspiração”: a auto-chupinhada. Não é muito normal, mas acontece de as agências pegarem referências de si próprias e se auto-chupinharem. Se for pra acontecer, acho que o mais aceitável é que sejam em clientes diferentes e que as peças chupadas sejam antigonas. Aí dá pra passar!

Agora, a Crispin Porter fez uma coisa bizarra. Ela se auto-chupinhou no mesmo cliente, a VW, em dois carros de alguma forma semelhantes. O caso foi com esse filme do lançamento Jetta que veio com a assinatura “Safe Happens”.

Aí, devido ao sucesso desse filme, a Crispin resolveu mandar um repeteco, só que dessa vez na versão Passat. Vejam como ficou e meçam o tamanho da “inspiração”.

É, não tem jeito. Chupinhada vem de todo lado e de onde a gente menos espera. Auto-chupinhação eu nunca tinha ouvido falar, mas também não duvido de mais nada.

E temos que pensar também que lembrar de que agência estamos falando. Como soltaram lá na agência em tom de brincadeira: se você é a Crispin Porter, você só pode copiar a si próprio porque com certeza você estará com a razão. E o pior é que isso é tão verdade que aposto que alguém vai acabar achando alguma genialidade inovaora nisso só pra falar que a Crispin é fodona. E aí dá-lhe buzz…

UPDATE: Graças a contribuição do meu camarada Marcelo Bazán, vi que na verdade a CP não se auto-chupinhou coisíssima nenhuma. Na verdade, ela se “inspirou” no DrinkingDrive CounterAttack, série de anúncios da ICBC (Insurance Corporation of British Columbia) para coibir condutores alcolizados.

Caso alguém queira ver, há mais dois filmes dessa série aqui e aqui. Valeu, Bazán!!

Quando não tem cliente pra dar clientadas…

dezembro 19, 2006 às 11:06 pm | Publicado em Sem categoria | 2 Comentários

… aumenta consideravelmente a chance de sair coisa boa. E Rápido! Mal a Borghierh se juntou com a LOWE e já fizeram esse mash up, que apesar de ter intenção didática, ficou super engraçado pela “auto zueira” com o novo e impronunciável nome BorghierhLowe.

007 Cassino Royale

dezembro 19, 2006 às 4:06 pm | Publicado em Cine | 2 Comentários

Eu vou arriscar escrever sobre o filme 007 Cassino Royale, mesmo sabendo que eu sou suspeitíssimo para fazer isso. Desde criança sou fã do James Bond, tenho todos os filmes na minha casa e toda vez que eu ouço a música tema começo a reprouzí-la de algum jeito.

Acho que foi muito por isso que fiquei com um pé atrás quando soube que o loirinho de olhos azuis Daniel Craig seria o 6º homem a atuar no papel do agente do serviço secreto inglês com permissão para matar. Achei que o cara iria acabar com o personagem. Ele é malhadão, feio, mauricinho, enfim, nada a ver com o clássico James Bond.

Por sorte eu queimei minha língua já que Daniel Craig se mostrou um 007 muito competente e certamente muito melhor que os seus dois antecessores Timothy Dalton e Pierce Brosnan, que eram muito fracos para carregar o peso da famosa Walther PPK de Bond.

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Cassino Royale é a primeira novela da série 007, escrita pelo lendário Ian Fleming. Ela começa quando James Bond tinha acabado de ser promovido a agente 00, ou seja, aqueles com permissão para matar. E o bacana disso é que por se tratar do primeirão, muita coisa que acontece com o personagem no decorrer da série é explicada em Casino Royale. Algumas de suas maiores características e atitudes são frutos de acontecimentos dessa sua missão contra a rede de fincanciamento a terroristas e guerrilheiros na África.

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A atuação de Daniel Craig e o roteiro contribuem muito, mas não é só por isso que eu arrisco dizer que Casino Royale é (com o pé nas costas) o melhor filme da série nos últimos 20 anos.

Acho isso porque parece que os donos da franquia tomaram uma decisão acertada: recuperar o clássico 007 das décadas de 60 e 70. Aparentemente, eles enfiaram na cabeça que James Bond não é um super herói com um cinto de utilidades do ano 2120 e nem tem a pretensão de ser o Ethan Hunt de Missão Impossível. O agente do serviço secreto inglês se destaca por sua classe, elegância, charme, habilidade com as mulheres e, é claro, seu humor sarcástico pra lá de refinado. Eu sei que a tecnologia é um atrativo difrente dos filmes (até pela quase sempre certa presença do inventor maluco Q, que acabou não dando as caras em Casino Royale), mas nunca poderia ter sido protagonista deles como nos últimos.  

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Caso a idéia tenha sido mesmo retomar as raízes do personagem, Casino Royale acertou em cheio e Daniel Craig também. Se a mentalidade dos donos da franquia continuar essa e Craig aproveitar todo o potencial que tem na pele de Bond,  é bem possível que tenhamos uma leva de ótimos filmes durante os próximos anos. E que assim seja!!

Tenho que fazes um PS nesse post porque não dá pra falar de 007 sem mostrar aquelas aberturas iniciais, que já fazem parte da história do cinema e são parte da expectativa dos fãs do agente. 

E a abertura de Casino Royale foi mais uma bola dentro do filme. A direção de arte é fantástica, o design é lindo e a trilha também é muito legal (“You Know My Name”, na voz de Chris Cornell, atual líder do Audioslave). 

Parece até piada

dezembro 14, 2006 às 5:13 am | Publicado em Ad, Cool, Non-sense | 3 Comentários

A cada dia que passa eu percebo que a publicidade está mais cheia de piadas. E eu não estou me referindo a manchetes do tipo “Roberto Justus voa no dirigível da Goodyear para comemorar a nova conta” ou “Famiglia anuncia outra grande conta: Hirudoid”. Não que isso não seja piada, mas quero falar sobre tirações de sarro com a profissão pubicitário.

Eu juntei vídeos, textos, fotos e tirinhas que retratam o lado cômico da publicidade. E nesse sentido, acho que quanto mais escrachado e/ou irônco melhor. E é curioso como tem umas coisas que acertam na veia e proporcionam muita auto-tiração-de-sarro.

O mais recente desse tipo que eu vi são crianças falando que querem trabalhar com publicidade quando crescerem. É hilário:

E tem coisa de tudo que é tipo. Essa tirinha aqui, por exemplo, veio diretamente do blog Publicidade de Saia e retrata o peculiar cotidiano real das agências:

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E como os planejadores não poderiam escapar ilesos, peguei do Cafeína duas características engraçadas desse pessoal esquisito: a indecisão e a encheção de lingüiça.

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E para finalizar, acho que não teria nada melhor do que a engraçadíssima série “Truth in Advertising”, que é genial pela dose exagerada de sinceridade de seus personagens.

Eu acho essas manifestações muito boas. É legal pra caramba tirar sarro de si próprio, até porque isso faz com que nos conheçamos melhor, só que de um jeito relaxado, leve e descontraído. Afinal, não dizem por aí que o sorriso é o espelho da alma??

Ah, e se alguém aí conhecer outras piadas boas sobre publicidade, marketing e afins, deixa um comment aqui pra ver se a a gente consegue juntar bastante coisa engraçada e dar umas risadas.

Mais um Olé de Almodóvar!

dezembro 12, 2006 às 4:34 am | Publicado em Cine, Cult | 5 Comentários

Volver é o mais recente filme de Pedro Almodóvar, um dos meus diretores de cinema favoritos (senão o favorito). Só que não foi apenas mais um filme que passa como todos os outros. Volver é uma grande obra que não fica devendo em nada para os grandes clássicos do espanhol como “Tudo Sobre Minha Mãe”, “Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos” e “Ata-me”.

Aliás, o diretor espanhol é um dos raros casos de cineatas que não declinam com o tempo como é o caso de Oliver Stone e do próprio Martin Scorsese, que ensaiou uma sobrevida com “Os Infiltrados”, mas que acabou ficando bem longe de alguns de seus clássicos (“Bons Companheiros”, “Taxi Driver” e “Casino”). Almodóvar consegue praticamente uma façanha por ter filmes muito bons sempre.

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O filme é bom em tudo, mas se sobressai principalmente em dois aspectos: o roteiro e as atuações, o que aliás não é novidade vindo de quem vem. O roteiro sempre surpreende muito com situações inusitadas, mas altamente reais e contadas de forma poética e não sensacionalista; e os atores nas mãos de Almodóvar dão um show a parte na telona.

Em Volver, Penélope Cruz está muito bem no papel da protagonista Raimunda, que vive uma situação muito complexa entre sua filha, seu marido, sua mãe, sua irmã e sua tia com desdobramentos inesperados típicos da filmografia do espanhol. Destaque especial para a linda cena em que Raimunda chora calada no momento em que é tratada como objeto sexual por seu embriagado marido Paco.

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Talvez a única coisa que eu tenha sentido um pouco de falta por se tratar de Almodóvar foi uma presença mais marcante da Loucura, personagem da maioria de seus filmes e de todos os seus clássicos. A loucura retredada pelo espanhol é riquíssima, já que na maioria das vezes além de sem limites ela é obsessiva e frequentemente onírica, buscando a todo custo a materialização de desejos surreais, que por incrível que pareça surgem de momentos epifânicos e não de contextos complexos.

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De qualquer forma, o filme é incrível no tratamento equilibrado que dá a tragédia e a comédia, que prende a atenção do espectador ora pela reflexão, ora pelo suspense, ora pelo drama e ora pelo puro entretenimento. Um filme que mais do que completo em suas questões técnicas aborda a vida de uma forma muito real, sem apelar para clichês, dramatizações forçadas e conteúdo sensacionalista.

Ao melhor estilo espanhol, um Olé de Pedro Almodóvar!

     

    

Música para os meus ouvidos

dezembro 8, 2006 às 4:09 am | Publicado em Ad | 9 Comentários

Música é uma das minhas maiores paixões na vida. Mas não qualquer música, porque costumo ser bastante crítico com relação ao que não gosto. Não sou muito afeito ao jeito eclético de ser. Correndo o risco de ser um pouco radical, acho que quem gosta muito de tudo acaba não gostando de nada e nem tendo uma opinião bem definida (se é que isso é importante em se tratando de gostos).

Esse gosto todo especial por música acabou se refletindo também na miha profissão e hoje decidi escrever sobre filmes publicitários que são inesquecíveis pela sua música. Quando vejo isso numa execução fico deslumbrado porque acho sensacional que um filme se resolva simplesmente com sua trilha e que tenha nela seu maior ponto de sustentação em detrimento à redação por exemplo.

Um bom exemplo disso é o filme de AXE, vencedor de Cannes em 2004, que usa a clássica Somewhere Over the Rainbow como trilha de suporte para um casal a procura de suas roupas depois de uma noite de aventuras. Como se não bastasse a bela direção de arte do filme, ele ainda vem com uma assinatura destruidora, que funde com grande harmonia racional e emocional: “Because You Never Know When”.

O outro filme que eu quero mostrar aqui também é vencedora de Cannes e também em 2004. Só que o tipo de uso que ele faz da música é completamente diferente. Hate Something (ou como quer que seja o nome oficial disso) de Honda usa sua trilha como se fora um manifesto de seu novo produto. O filme segue a divertida linha das animações e defende o argumento que odiar as coisas as vezes é bom porque assim você sente uma vontade enorme de mudar as coisas e fazê-las melhor, assim como a Honda com seu motor a Disel.

Eu poderia relembrar Balls de Sony Bravia também, mas já cansei de falar nele. Em vez disso, vou falar um filme nacional, porque aqui -apesar do pouco valor que nos damos- tem muita coisa boa também. O melhor exemplo relativamente recente que consegui lembrar foi o vencedor lançamento do FOX da Volks, que usou uma estilização do refrão de Isso Aqui Tá Bom Demais de Dominguinhos para transmitir a sua mensagem “Compacto pra quem vê, gigante pra quem anda”. Claro que o filme conta com um grande trabalho de edição e direção de arte, mas a música é mais do que essencial para carregar a mensagem com todo o significado que ela tem.

Como eu já disse, acho esse assunto fascinante e gostaria de fazer um tipo de coletânea ou arquivo com o máximo desses exemplos que eu conseguisse. Alguém me ajuda?

Valeu por sempre me inspirar Rê!

“Inspirações” II

dezembro 3, 2006 às 3:20 am | Publicado em Ad | 2 Comentários

A Skol saiu na frente de todo mundo e lançou faz umas semanas sua campanha para o verão 2007. É um filme super simpático, que fala sobre as coisas que a gente só faz no verão. Coisas que vamos contar para os nossos netos segundo eles. As cenas são bacanas, o texto é bom (acompanhado de uma narração e de uma música muito divertidas) e a assinatura diz “O verão é agora. E tá redondo? Yeah, Yeah!” 

Bom, até aí tudo bem, né? Não é mais tanta novidade assim a F/Nazca fazer coisas legais desse tipo para a Skol. O problemas foi que um pouco depois de sair a campanha veio a tona um filme que a Quilmes (cerveja argentina também da Ambev) fez para o verão há exatamente 1 ano. Confiram.

No quesito qualidade, ponto pra Skol, pois conseguiu fazer um filme muito mais bacana do que a Quilmes. Mas no quesito originalidade não há nem muito o que comentar, foi uma classica chupada! 

Será que por o cliente ser o mesmo ele pediu pra agência se “inspirar” em Quilmes ou foi na caruda mesmo?

“Inspirado” no ótimo Brainstorm#9    

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