Diamantes de Sangue

janeiro 30, 2007 às 1:02 am | Publicado em Cine | 6 Comentários

Fui ao cinema nesse final de semana assistir a Diamantes de Sangue. Mas confesso que fui mais pelo Leonardo di Caprio e pelo Djimon Hounsou (não me levem a mal, mas os caras foram indicados ao Globo de Ouro e estão indicados ao Oscar).
Pra ser bem honesto, tive uma grata surpresa com o filme. Primeiro porque os atores não me decepcionaram em nada. A indicação foi super justa, especialmente para Hounson, que está impecável no papel de Solomon Vandy. Além disso, o filme em si é muito bom. Só não digo que é um puta filmasso porque ele tem alguns pecados mortais de filmes comerciais hollywoodianos. Mas tudo bem, não acho que isso diminua muito filme, só não o credencia a, por exemplo, estar entre os grandes do ano.

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Enfim, o filme conta a historia de Solomon Vandy, pescador da etnia Mende e Danny Archer, mercenário do Zimbábue, sob o pano de fundo dos cartéis mundiais de diamantes que financiavam a devastadora guerra civil que assolou a Serra Leoa nos anos 90. Toda a ação do filme gira em torno de um diamante raro que Solomon encontrou nas minas tomadas pelos insurgentes da F.R.U (Forças Revolucionárias Unidas) e da jornalista Maddy Bowen (Jennifer Connelly), que está atrás da verdade sobre como o caminho que os diamantes percorrem desde a sua extração ilegal nas minas até a sua venda nas grandes joalherias do mundo, passando por muita luta por poder, ambição, guerra, sangue e sofrimento.
Para mim, a grande sacada do diretor Edward Zwick é usar esse gancho do diamante raro e da jornalista para dar ação ao filme (e vender ingresso) enquanto faz um grande trabalho documental, mostrando todo o jogo de interesses no contrabando de diamantes de sangue e o sofrimento do povo de Serra Leoa em virtude disso, tanto nas mãos do governo, quanto nas mãos dos rebeldes, que formavam, inclusive, exércitos de mini-soldados para servirem de infrantaria na sua luta pelo poder. Outro grande trunfo do filme é a direção de fotografia de Eduardo Serra, que é realmente um show a parte e vale nosso ingresso.

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No entanto, como eu disse no início do post, o filme tem uns pecados mortais que não o deixam ser brilhantes. A maioria deles são desníveis morais inaceitáveis que os personagens apresentam para poderem ser melhor aceitos pelo grande público. Fora isso, alguns dos grandes estereótipos de hollywood estão claramente apresentados: o mocinho pobre, que faz tudo pela família e de repente vê uma oportunidade de se dar bem na vida; o anti-herói que a gente vai notando que não é tão ruim assim; a idealista que acha que vai mudar o mundo com uma meia dúzia de palavras publicadas numa revista de grande circulação… e por aí vamos.
Mas fazer o quê? Eu não vou dar aqui uma de riponga cult ou comunista frustrado e achar que isso é um absurdo, uma vergonha, que deveria cair uma bomba em cima de Hollywood para ver se alguns diretores tomam vergonha na cara e começam a fazer filmes decentes que façam realmente jus a alcunha de Sétima Arte. Tenho plena consciência que o cinema  é  uma indústria, que, assim como todas as outras, vive de ganhar dinheiro, turu, money, cash, gaita, bufunfa ou como você costuma chamar o vil metal.
Sei que estou correndo o risco aqui de alguém apontar na minha cara e dizer que a história do cinema está cheia de obras primas do ponto de vista técnico que foram também sucessos de público, o que, teoricamente, contraria o que eu estou dizendo aqui, mas… espera um pouco. Quantos desses vocês vêem no Cinemark por ano?

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Nostalgia

janeiro 26, 2007 às 5:44 pm | Publicado em Cool | 2 Comentários

Nostalgia é sem dúvida um dos meus sentimentos preferidos. É demais poder relembrar coisas que te marcaram num passado já meio distante. No mínimo você solta aquele sorriso e pensa: “caraca, queria MUITO poder fazer isso de novo”.

Isso foi o que aconteceu hoje na agência, quando o Thiago (estagiário de planejamento) mandou um comercial do Atari no e-mail da agência.

Eu achei muito testão o filme, mas ele não me marcou tanto quanto poderia porque eu não tive Atari de pequeno, só Master System. Mas aí, eis que surge – nos links relacionados que aparecem sempre ao final dos vídeos do YouTube – ele, meu herói durante alguns bons anos de criança: Alex Kidd. Sim, aquele mesmo que vinha na memória do Master. Obviamente, eu cliquei na hora para ver do que se tratava e relembrar o tempo em que eu só jogava essa trolha dia e noite.

E desse surgiu outro, que mostrava uma das fases mais memoráveis do game: o Jokempo.

Nem precisa falar que a minha reação foi exatamente aquela que descrevi no início do post. Sorriso, lembrança e muita vontade de poder jogar de novo, só por umas duas horinhas. E é engraçado que o que mais faz a lembrança ser gostosa e presente na nossa memória são as músicas desses jogos antigos. Elas eram muito animais e marcavam o game com uma força impressionante.

E nessa de pilhar na música, acabei lembrando de um vídeo em que um coral reproduzindo a famosa musiquinha do Mário Bross.

Alguém sabe aí se existe emulador do Alex Kidd pra Playstation 2?

Pequena Miss Sunshine

janeiro 24, 2007 às 3:02 am | Publicado em Cine | 5 Comentários

Não sei o que está acontecendo, mas nos últimos tempos cismei em ver só comédias (o segundo gênero que menos gosto, só ficando a frente de terror). Escrevi aqui semana passada sobre o excepcional Borat, que de tão bom acabou levando o Globo de Ouro como melhor filme de comédia/musical. Pois bem, não contente em ver o premiado, fui assistir ao derrotado (mas indicado hoje ao Oscar de melhor filme) Pequena Miss Sunshine.

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E, assim como Borat, o filme foi uma grata surpresa. Digo isso porque desde o começo ele tinha tudo pra dar errado. Nos primeiros 20 minutos, a impressão que dava é que seria um daqueles filmes americanos clichés, que contam a história de uma família desunida, construída a base de estereótipos (desde a mãe multifacetada até a criancinha fofa, passando pelo adolescente problemático), que se une durante uma aventura cheia de percaussos. Tá aí: era a receita perfeita para um filme horroroso que faz você se odiar só por ter saído de casa.

Na verdade, o filme era quase isso. Tinha tudo que escrevi acima, mas sem um detalhe: o cliché. Apesar de ser uma roteiro meio (bondade minha) manjado, a dupla de diretores Johnatan Dayton e Valerie Faris conseguiu fazer uma execução acima de qualquer suspeita, conduzindo o elenco com maestria e contando a história de uma forma extremamente leve e divertida. E o principal, sem apelar para o grosseiro e o piegas, como é tão comum nas comédias americanas desse estilo.

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O filme começa mostrando um momento que define cada personagem, como se fora uma introdução de cada um aos espectadores. Poucos momentos depois, vemos todas aquelas pessoas na mesma mesa, dividindo o mesmo frango frito de todos as sexta-feiras. Eis que a rechonchuda e desengonçada Olive (Abigail Breslin), a caçula da família lá pelos seus 7 anos, recebe a notícia de que irá participar do maior sonho de sua curta vida: o concurso de beleza Pequena Miss Sunshine. Da decisão de ir à Califórnia até o momento em que a menina sobe no palco para se apresentar, é uma confusão atrás da outra. Tudo vai dando muito errado e eles conseguem quase por um milagre que Olive consiga concorrer.

Toda essa epopéia até a Califórnia é divertidíssima, mas nada se compara ao final do filme, um grande clímax que joga luz sobre aquela família para que possamos ver de fato o tipo de sentimento que eles guardam um pelo outro. E, insisto, sem ser cliché! É claro que, por se tratar de uma comédia, temos um belo happy end, mas isso não desmerece o filme em nada, porque, se você forem assitir ao filme verão que há happy ends e happy ends.

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Acho que Pequena Miss Sunshine não vai levar o Oscar. E nem deve. Mas certamente é um filme que vale a pena ser visto pelo menos para dar umas risadas mais inteligentes do que normalmente fazemos no Cinemark.

Ainda na série “filmes de comédia”, aluguei o clássico Annie Hall, do Woody Allen. Eu já estava ficando constrangido por nunca ter visto, mas dei um jeito nesse final de semana. E isso é tudo que tenho a dizer sobre o filme, porque certamente não tenho competência para falar nem o mínimo aceitável sobre qualquer filme desse gênio que é o Woody Allen.

Tanques de guerra, carros de guerrilha

janeiro 22, 2007 às 3:20 am | Publicado em Ad, Cool | 1 Comentário

Recentemente, vi duas ações de guerrilha muito bacanas utilizando carros.

A primeira, e mais genial, foi desenvolvida pela Serviceplan para a Giller, agência de viagens de Munique. O objetivo era motivar as pessoas a aproveitarem as promoções da agência e viajarem no feriado. Para isso, resolveram aproveitar o frio que estava na Alemanha e provocar as pessoas, mostrando a temperatura de praias e países tropicias. O melhor de tudo é que eles faziam isso escrevendo a dedo nos vidros dianteiros de carros cobertos de neve.

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A segunda ação foi feita para o estacionamento Car Park. A ideía era extremamente simples e conseguia, além do impacto visual do meio suportando a mensagem, um buzz entre as pessoas que passavam por alí. Os caras pegaram um carro, deixaram-no estacionado num lugar descoberto e decoraram-no com merda (sorry) de pombo. Então, na capota do carro, tinha um display com o texto: “Try us instead”.

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E dá-lhe guerrilha!!

Cigarro + Vulgaridade + Efeito Axe = Maior Absurdo do Mundo

janeiro 20, 2007 às 12:44 am | Publicado em Ad | Deixe um comentário

Eu estou longe de ser um cara puritano em relação à comunicação. Não fico cornetando tudo que é propaganda um pouco mais ousada que vai para o ar e, apesar de achar uma iniciativa correta, não tenho um poster do CONAR no meu quarto. Acho até que sou muito anarquista e um pouco porra louca quando penso propaganda. Mas vamos me deixar pra lá.

O assunto, na verdade, é essa peça do Gogo Lounge, veiculada em 2006, em reação a lei anti-tabagista que estava rolando nos EUA.

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Quando vi essa porcaria, fiquei meio revoltado até. Achei que além de ruim estéticamente, é um dos maiores absurdos do mundo. Não sei como, mas esse anúncio conseguiu a proeza de reunir num lugar só algumas das piores coisas que existem. Além de ele levantar a bola de um produto que mata como o cigarro, ainda teve a manha de associá-lo ao famoso “efeito axe”, só que de uma forma pra lá de vulgar.

Sei lá o que leva uma agência a fazer isso e sei lá também o que faz um cliente achar que isso é bom e que vai resolver os seus problemas com a lei. É uma iniciativa estúpida que só serve para reafirmar a presença de gente podre nesse nosso meio. Que lixo!!

via Ads of The World

Banco do Fulano

janeiro 18, 2007 às 3:04 am | Publicado em Ad, Brand | 1 Comentário

Muita gente andou postando nessa última semana a nova campanha do Banco do Brasil. Isso, aquela mesmo que tirou o “Brasil” da fachada e colocou nomes comuns de clientes do banco. E, diga-se de passagem, começou dando muito certo pelo menos no que diz respeito ao buzz que a ação gerou. Alguns não gostaram, mas a maioria das pessoas achou uma boa idéia do BB. No mínimo simática.

O que estanhamente eu não vi por aí foram os filmes da campanha, que lançam a assinatura “Todo Seu” e promovem a ação da fachada como principal argumento para sustentar a promessa de um banco mais próximo das pessoas, que as faça ter percepções de pertencimento, zelo, atenção etc. Há três filmes no ar, mas acho que só um deles merece algum destaque. Se ele não é a a 8º maravilha do mundo, pelo menos consegue se diferenciar da categoria, seja pelo tom, pela estrutura discursiva, pelo humor ou pela simplicidade (que vale o filme na minha opinião).

Os outros dois não valem a pena. Mais do mesmo!

Coca Cola Zero

janeiro 16, 2007 às 2:55 pm | Publicado em Sem categoria | 2 Comentários

Confesso que essa não é uma das campanhas mais geniais que vi na minha vida e nem a que mais impressionou nas execuções. No entanto, ela é super redondinha e acho que merece ser comentada especialmente por dois motivos: a idéia estratégica e o trabalho de mídia. Sim, senhores, pasmem: uma campanha que é mais bacana nos outros setores da agência do que no panteão criativo cercado por piercings, tatoos e macs.

A campanha a que me refiro é lançamento que a Coca Cola está fazendo na Argentina: Coca Cola Zero, uma bebida que, segundo eles, tem todo o sabor da original, mas com zero de açucar.

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E foi partindo exatamente disso que a Ogilvy portenha criou todo o conceito da sua campanha: “La Coca Cola que no esperabas”. Desde então, tudo o que foi criado teve foco em coisas inusitadas e surpreendentes que poderiam ser ligadas à marca. Para tal, eles usaram a internet como meio de convergência, criando um hotsite que tinha como conteúdo um ringtone, links para páginas “inesperadas”, uns joguinhos bobos e 4 virais, que acabaram servindo de canal para pedir a contribuição do consumidor. A idéia era convidá-lo a contar histórias inesperadas por meio de vídeos na página da Coca Cola Zero no Youtube.

Como eu disse no início, não tem nada aqui de muito sensacional e o conteúdo que eles ofereceram nem é dos mais empolgantes. Só que a minha questão é: quantas campanhas você vê por aqui que conseguem ter um conceito sólido e um trabalho de mídia que dá unidade e convergência para uma campanha? Quantas campanhas conseguem pedir a colaboração dos consumidores e fazer com que eles interajam de um jeito minimamente legal com a marca?

É, senhores, infelizmente eu também vejo muito poucas, muito menos do que eu gostaria. E o pior é que o pessoal daqui sabe que essas coisas são bacanas e tem muita criatividade para fazê-las. Por que será que não fazem? Será que o problema é na agência, no cliente, é comodidade, inérica, preguiça, politicagens (que eu como mero estagiário desconheço)… sei lá!!

Enfim, quem tiver uma opinião aí, por favor, me ajude a entender! Porque sozinho eu já tentei, mas confesso que não saio do lugar…

UPDATE: e para me revoltar de vez, acabei de ler aqui que a campanha vem para o Brasil também, mas só com um filme traduzido da argentina pela Mcann… é o fim da picada mesmo!!

Borat

janeiro 13, 2007 às 9:09 pm | Publicado em Cine, Cult | 2 Comentários

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Ontem fui com a minha namorada e meus cunhados pela primeira vez ao já famoso Noitão do HSBC Belas Artes. Pra quem ainda não o conhece, trata-se de um evento muito bacana que consiste em passar 3 filmes “cult” ao longo da madrugada. Além do inusitado de virar a madrugada no cinema, o evento chama atenção pelo público super animado, pelos sorteios nos intervalos e pelo café da manhã na saída. Como amante de cinema, claro que sempre tive muita vontade de participar do Noitão, mas vou ser honesto e confessar que o que me levou até lá não foi o evento, mas sim a vontade de ver a sensação do momento nos EUA: Borat.

Outra confissão que eu devo fazer é que descobri esse filme muito por acaso. Estava zapeando a TV descompromissadamente quando parei para assistir ao excelente David Latterman. Nesse exato momento, ele estava anunciando um de seus convidados, o humorista judeu e britânico Sacha Baron Cohen, que estava estreando um filme chamado Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América . De repente, entra um cara de terno, muito alto e com um bigode igualmente grande. Em agradecimento as palmas da platéia, ele começou a dançar, beijar o apresentador, fazer a a maior confusão para sentar, além de zoar com o líder da banda do programa, Paul Shaffer. Acho que melhor do que meu relato é vocês assistirem a uma parte da entrevista.

Assim que acabou a entrevista, fui pesquisar mais sobre esse filme e a cada matéria eu ficava com mais vontade ainda de assistir. Tava na cara que ia ser muita risada garantida. E, cá pra nós, está cada vez mais difícil fazer isso no cinema.

Essa impressão que eu tive acabou mais do que se confirmando do decorrer do filme. Sem exageros, de todas as comédias a que eu assisti, Borat foi a que eu ri com mais constância. A idéia de Sacha Baron Cohen foi criar um repórter e fazer um falso documentário, a fim de conhecer mais a cultura norte americana e levar valiosas lições ao seu “glorioso país”, o Cazaquistão, que perecia de problemas sociais, econômicos e… judáicos, segundo o próprio Borat.

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Uma das coisas que eu achei mais legal do filme é como ele consegue, por meio de um humor ácido e satírico que extrapola em muito as barreiras do politicamente correto e socialmente aceito, expor vários tipos da sociedade norte-americana, tais como o racista, o conservador, o belicista entre outros. Todos esses tipo acabaram sendo um prato cheio para Borat poder fazer suas piadas e causar muito constrangimento a quem ele entrevistasse. É muito engraçado também perceber as reações reais das pessoas frente às loucuras de Borat. Elas ficavam espantadas, enojadas, temerosas e algumas até agressivas frente a seu humor multifacetado que vai desde o satírico-irônico até o escatológico e pastelão, passando sempre pelo escrachado e caricata. Enfim, é uma farra.

Eu acho que esse filme é imperdível, seja pela idéia, pelo ator ou pela risada, que como eu disse anteriormente, é 100% garantida. Mas para quem depois de tudo isso ainda não acredita em mim, tem a chance de ver com seus próprios olhos o trailler do filme que deve estrear em fevereiro aqui no Brasil.

Pra finalizar, queria listar alguns resultados práticos que as confusões do Borat trouxeram.

1) Ódio do povo e do governo do Cazaquistão, que achou um desrespeito o que ele fez com o país;

2) Ódio dos ciganos romenos, que são retratados como estupradores e assaltantes;

3) Ódio de anônimos que participaram do filme e se sentiram lesados moralmente;

4) Ódio de um anônimo em especial, que foi vítima de uma piada de Borat e revidou com um soco em seu nariz;

5) Ódio de Kid Rock, marido de Pamela Andresson, que teria ficado louco da vida com a participação dela no longa no papel de paixão platônica do repórter assim que chegou à América. Rolou até pedido de divórcio.

E aí, vale ou não vale o ingresso?

Nike x Apple = inovação²

janeiro 11, 2007 às 12:00 pm | Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

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O que podemos esperar da fusão de inteligências de duas das mais criativas empresas do mundo? A resposta é algo bem bobo e até certo ponto previsível, mas que nas mãos dessas duas gigantes ganha um status completamente diferenciado. Para quem ainda não se ligou, estou falando do Nike +, um dispositivo que conecta o seu tênis Nike ao seu iPod, transformando sua corrida numa experiência completamente nova.

O funcionamento integrado do tênis ao iPod é relativamente simples. Primeiro você programa a relação entre distância, tempo, velocidade média e calorias perdidas. A próxima etapa é selecionar uma playlist, que contenha uma “power song”, isto é, uma música que dá um gás quando a performance está ficando abaixo do desejado e começa a tocar assim que você aperta o botão central do iPod. Além disso, esse sistema está programado para passar feedbacks de desempenho, e parciais de tempo e distância que faltam para completar o percurso programado.

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Até aí, nada demais. Fico pensando que qualquer empresa poderia ter feito isso e até de uma forma mais universal para que pudesse ser usado não apenas no iPod Nano. Só que provavelmente, isso seria encarado como mais uma traquitana moderna do mundo fitness, que está sempre inventando moda para enganar uns trouxas que ainda acreditam nessas coisas.

Certamente a Nike tinha essa consciência. Ela sabia que a tecnologia do aparelho por si só não se sustentaria para ser algo que modificasse a relação que as pessoas têm com a corrida. Com um mp3 player vagabundo e um relógio legal você consegue fazer isso praticamente com o mesmo resultado prático.

Nem é preciso falar que a primeira grande sacada da Nike para fazer do Plus algo maior do que uma traquitana foi se unir com a Apple e colocar o iPod na jogada. Só nessa, a tecnologia já valoriza muito. Todos os significados que o iPod carrega consigo são transferidos para o universo do esporte e potencializam ainda mais a força da Nike como marca e do Plus como produto.

Só que isso ainda não era suficiente para tornar o Plus tudo o que a Nike queria que ele fosse. Disso veio a outra grande (e essa enorme) sacada, que foi o pensamento de como tornar esse aparelhinho aparentemente bobo num elemento de entretenimento, integração social e interatividade. E foi exatamente isso que eles fizeram.

No site do Nike +, além de ver uma série muito legal de demos do produto, há a possibilidade de você descarregar as informações do iPod para que o sistema possa gerar gráficos do seu desempenho. A princípio, isso pode parecer mais uma engenhoca, mas se vocês verem esse e esse post certamente entenderão o potencial disso no sentido de integração e relacionamento social. As pessoas começam a tirar sarro umas das outras exibindo seus desempenhos na web.

E para explorar mais ainda esse potencial interativo que o produto esbanja, a comunicação se voltou toda para isso. Novamente eles usaram o site como ferramenta de convergência, já que abre espaço para que as pessoas deixem públicas suas metas e combinem apostas. Além disso, é possível tornar pública todas as performances das corridas que você descarregar no site, para que o seus “adversários” acompanhem seu desempenho em tempo real e vice-versa.

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Nos meios de massa, foram feitos vídeos de atletas Nike desafiando-se entre si. A brincadeira girava em torno de uma aposta: quem corresse menos milhas durante um determinado período teria que pagar um mico em uma partida do outro. Vejam esse da tenista Maria Sharapova desafiando o astro da NBA Lebron James.

Além disso, foram feitos para a internet viraizinhos de pessoas comuns pagando os micos por não terem cumprido sua meta de milhas estipulada.

No final das contas, o Nike + está sendo um grande sucesso, principalmente porque é alinhadíssimo com o consagrado posicionamento da marca. De uma forma muito especial (e com a ajuda fundamental da Apple), a Nike está estimulando as pessoas a fazerem esporte, seja pelo entretenimento, pela integração, pelo prazer ou pelo que for. Just do it.

As melhores idéias de 2006

janeiro 9, 2007 às 2:27 am | Publicado em Ad, Brand, Cool, Inspiring | 2 Comentários

A Contagious Magazine soltou recentemente um documento que compila todas as melhores (ou mais contagiantes segundo ele) idéias de 2006. Para isso, dividiram as idéias em 16 categorias, tais como design, gadgets, gaming, viral, event, website, branded, UGC etc.

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Sinceramente, acho que não vale a pena passar idéia por idéia que a Contagious elegeu, mesmo porque eu já postei aqui, aqui e aqui algumas delas. Mas acho que o que vale bastante a pena é fazer uma análise para tentar descobrir o que todas essas idéias têm em comum. O que elas tem de tão especial que as tornam grandes sacadas?

Lendo o documento com um pouco de cuidado e pensando durante algum tempo nessa questão, cheguei à conclusão que praticamente todas as idéias se concentram muito em entreter as pessoas, pelo meio mais bacana que há atualmente: a interatividade. Claro que hoje podemos falar que em várias dessas idéias há compartilhamento, colaboração, geração de conteúdo, brand enterteinment, customização etc. Mas acho que tudo isso acaba tendo o entretenimento pela via interativa como elemento central.

E, na boa, eu acho que esse lance de interatividade é muito mais simples de entender do que parece. Podemos usar algumas situações corriqueiras de convívio social para sacar. Por exemplo, quando você sai para jantar com aquela turma de amigos da sua namorada que ela adora, mas que você sente que não tem nada a ver com você. Você tenta ser simpático e faz de tudo pra agradar, afinal, é sua namorada e você quer participar também da vida social dela. No entanto, tenho certeza que muitas vezes você se pegou quieto, sem a possibilidade de emitir uma opinião ou um comentário. E isso acontecia ou porque você não via abertura ou porque realmente as pessoas não te davam abertura. Você até pode curtir o papo, mas como não tem muitas possibilidades de participar, não sente vontade de continuar lá por muito tempo.

Situação completamente diferente é quando você sai com seus amigos. Esse grupo de pessoas te abriga de um tal jeito que você quer falar, brincar, fazer piadas, dar opiniões, fazer comentários e tudo mais. Porque você sente que pode fazer isso, que aquele grupo te possibilita essa interação. Resultado: você quer sair mais, de novo e de novo.

Eu acredito que seja bem essa a lógica da interação que a maioria das boas idéias apontadas pela Contagious proporciona. Elas têm a capacidade não só de prender a atenção do receptor, mas também de fazer com que ele responda, comente, reproduza e, principalmente, espalhe.

Para não ficarmos só nas idéias senso comum do tipo YouTube, MySpace, Second Life, Wii, blá, blá e blá, vamos pegar alguns exemplos diferentes dentro da seleção da Contagious. Um deles é a categoria Retail, em que as três melhores lojas do ano foram Nokia, Apple – ambas em NYC – e Nike em Londres. Desses três, acho que o exemplo que mais vale a pena comentar é o da Nokia, que teve a sacada de conectar celulares a telas LCD gigantes. A idéia era fazer com que as pessoas enviassem mensagens dos celulares expostos na loja e que elas fossem reproduzidas diretamente nas telas. Nem precisa falar que divertido e que puta experiência de consumo que isso era para as pessoas que entravam lá.

Para a Nokia, vender celular ali era certamente o de menos. O que a marca ganha em termos de imagem e awareness com isso já paga a conta do investimento e sobra um bocado, mesmo sem vender um dólar.

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A categoria Ambient também é uma boa para falar de interatividade. Os campeões foram a IKEA com o seu mobiliário urbano, o Mc Donalds com seu relógio solar e Adidas com aquela bola gigante.

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Todas são maneiras muito interessantes de entrar em contato com as pessoas de uma forma diferente e interativa. Quão bacana é você poder esperar seu ônibus sentado no sofazinho que a IKEA montou ali? E vai falar que não é no mínimo curioso que dependendo da posição do sol o Mc Donalds te indique um prato? E, principalmente, quem não queria ter voado dentro daquela bola de futebol gigante que a Adidas montou na Nova Zelândia? Isso tudo é a marca interagindo e entrando na vida das pessoas de um jeito especial, proporcionando-lhes alguns bons e memoráveis momentos de entretenimento.

Por fim (até porque esse post já passou os limites aceitáveis de texto na internet), acho legal falar da categoria Event. Os três eleitos são bacanas, mas quero dar destaque apenas para o Greenspace da Heineken. Na verdade, ele começou com um evento, mas hoje é muito mais do que isso. A sacada da marca foi revitalizar um bairro em Valência na Espanha e aproveitar para construir lá um espaço próprio, voltado para o desenvolvimento de criatividade (arte, música, design, filmes etc.). Depois do festival de lançamento, esse espaço é aberto diariamente para que as pessoas possam bater papo e desenvolverem suas idéias num espaço fértil para tal. Tudo sob o “sponsor” da Heineken, que dessa maneira, tornou-se extremamente relevante na vida das pessoas daquele bairro e até mesmo daquela cidade.

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A última conclusão que eu consigo tirar disso tudo, além do que eu já falei a respeito de entretenimento e interatividade, é que não é só na internet que moram as grandes idéias.  Todo mundo fala que o futuro da publicidade é na internet, mas acho que não é bem assim. Certamente ela terá papel cada vez mais fundamental no lançamento e suporte das campanhas, só que eu penso que o futuro da publicidade estará onde uma boa idéia estiver. E com uma boa idéia, quero dizer algo que altere o relacionamento das pessoas com as marcas, que lhes ofereça entretenimento, que interaja e que ganhe cada vez mais espaço em suas vidas. E essas idéias certamente podem, sim, estar nas ruas, nas lojas, nas praças, nas casas de shows e onde mais um cérebro criativo possa alcançar.

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