Venda que te quero verde

fevereiro 28, 2007 às 1:21 pm | Publicado em Ad, Atitude | 8 Comentários

Com toda a disussão acerca da emissão de poluentes, aquecimento global, Protocolo de Kyoto e tudo mais, a causa ecológica tem ganhado muita força. Inclusive, força de vendas, visto a quantidade de ítens que já são comercializados em sua versão “ecologicamente responsável”. Só que o mais interessante é que o verde não está vendendo porque a causa ecológica é a melhor delas e merece nosso apoio muito mais do que as outras. O fato é que vira e mexe tem algum hype politicamente correto que pauta as discussões na mídia e, consequentemente, nos departamentos de marketing das grandes corporações. Não faz muito tempo que a moda era a obesidade e o ataque à junk food, lembram?

Pois bem, felizmente ou infelizmente, a nova moda é o verde. E agora tudo que é marca quer tirar a sua casquinha, tornando incontáveis as publicitarices em prol da causa.

Elas vão desde coisas pequenas como a Ikea que não vai mais dar sacolinhas de plástico grátis para os seus consumiodres até coisas maiores como o mote da campanha da Copa do Mundo Brasil 2014, que vai apelar para o engajamento verde. Para ver como a questão está na moda, no último domingo (25/02) a Academia premiou com o Oscar o documentário “Uma Verdade Incoveniente”, estrelando o ex-vice presidente americano Al Gore. [E, cá para nós, apesar de um ser um filme sério e honesto, não tem como deixar de considerá-lo publicitarice social e política].

Mas o que mais chamou atenção recentemente foi a Honda, que pintou um grande mapa mundi no carro da sua escderia na F1. A idéia é eliminar todos os logos que patrocinavam a escuderia e fazer um modelo de licenciamentos para levantar a bandeira pela causa ecológica numa escala global, dado o alcance que as corridas têm pelo mundo a fora.

honda_f1_2007.jpg

O bacana dessa ação é que as pessoas também podem participar. A idéia é visitar o site myearthdream e fazer uma promessa ecológica. Daí, mediante determinada quantia, seu nome e sua promessa aparecerão no carro no lugar dos patrocinadores que costumavam estar por lá.

Muita gente discute se é certo ou não a publicidade se aproveitar dessas coisas para vender seus produto. Se é ético chupinhar causas nobres em prol do vil metal. Se é honesto usar de questões dessa natureza para enganar pessoas, fazendo-as desejar aquilo que elas não precisam e pagar por isso o dinheiro que elas não têm.

Bom, por ser (quase) publicitário, talvez eu seja suspeito para falar, mas, sinceramente não vejo as coisas dessa forma. Se o papel das marcas hoje é ter um relacionamento legal e ocupar um espaço importante na vida das pessoas, por que não “apoiar” uma causa que tem sido relevante na vida delas? Qual o mal em trazer cada vez mais essas questões para elas pensarem, refletirem e, até mesmo participarem e interagirem? Onde está o pecado em promover ou patrocinar eventos, conursos e desafios que ajudam o meio ambiente, mesmo que de forma pontual? Afinal, a publicidade é ou não um cadáver que nos sorri?

Obviamente, por trás de qualquer uma dessas ações há o “perverso” objetivo de vendas e a maioria das marcas (para não dizer todas) está pouco se lixando se a temperatura do mundo sobe 1, 2 ou 10ºC por década. Só que a publicidade se apropria de tantas questões nobres, de tantos sentimentos humanos e coisas que não se vendem, que chega a ser hipócrita a questão ética nesse caso. Como julgar se essa ou aquela marca é verde mesmo ou se está só querendo tirar uma casquinha? E se estiver tirando só uma casquinha, qual é o probelma?

Acho que marcas que aproveitam bem (e por bem entendam com uma idéia que seja maior do que um “plante uma árvore”) esses hypes politicamente corretos que a mídia pauta estão certíssimas. Se é importante para o mundo, a mídia vai pautar. Se a mídia pauta (de acordo com todas as questões de agenda setting), as pessoas vão comentar e isso vai se tornar importante para elas. Se é importante para as pessoas, é importante para as marcas. Se é importante para as marcas, elas tem que encarar como uma oportunidade e só se preocupar em acertar a mão para aproveitá-la direito, porque a questão moral e ética nesse caso, para mim não passa de idealismo hipócrita e oportunista de jornalista cri cri.

UPDATE: e não é que até a JWT entrou nessa onda verde com seu simpático reloginho!!

jwt_relogio.JPG

8 Comentários »

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  1. Só faltou mesmo à Honda trocar a gasolina por etanol, hehehe… aí ia ser verde ao quadrado.

  2. Saiu hoje na coluna Warm up por flávio gomes no Lance um comentário sobre esse lançamento da Honda, porém ele destacou outra coisa trambém sobre propaganda… se der dá uma olhada!

  3. Por que você tratou o tema com tanto menosprezo – como uma modinha ditada por “hypes politicamente corretos”?
    Acredito que as marcas que se beneficiam do agendamento do tema ambiental são as que têm um posicionamento de longo prazo baseados nesta preocupação; que não ficam só no discurso oportunista.

    Diego Senise, o irmão.

  4. Faço das palavras do Yaya as minhas.
    E concordo com o Diego…
    Acredito que responsabilidade sócio-ambiental (que também pode ser lido como oportunismo em alguns casos) vai além dos hypes politicamente corretos. Existem empresas realmente preocupadas com isso, com posicionamento, publicidade, comunicaão e toda esse blábláblá alinhados ao compromisso com o verde. E o aumento de vendas desta empresa deve ser visto como uma consequência, e não como um objetivo deste tipo de ação. O objetivo é se mexer em prol da causa. A consequência é cativar pessoas que se identificam com a causa e eventualmente ter novos consumidor, ou fidelizar os antigos.
    O que Maquiavel diria disso?

    Bjs,

  5. […] último caso escancarado que eu vi foi relacionado à famosa onda verde que assola o mundo. Mais especificamente, foi relacionado ao manifesto realizado por alguns […]

  6. […] último caso escancarado que eu vi foi relacionado à famosa onda verde que assola o mundo. Mais especificamente, foi relacionado ao manifesto realizado por alguns […]

  7. Acredito que o que tange a ética publicitária, tarda muito mais a própria humanidade quanto as próprias razões de cada indivíduo e ou profissional interessado em tal disciplina.
    A publicidade analisada em locu, sim pode ser apenas uma mera simbologia do fazer e construir meros layout(s), designer(s) compreensivos, uma estrutura adequada de cores e movimentos, ademais jamais deixará de ser apenas uma mera insignificante Arte! Mas não, lógico que não a falta do olhar semi ótico à questão dár-se a acontecimentos tristes como estes. O não levar a sério questões relacionadas a própria publicização midiática é não prestar atenção no mundo com suas influências no amanhã. Não, não quer-se dizer que a publicidade é fonte de todos os zeugmas sociais, ou muito menos ela é a única culpada pelas influências humanas, mas jamis poderemos nos esvair ou deixar de crer, que muitas das próprias alterações comportamentais e culturais da sociedade ocorreram pela sua própria defesa.

    Assumo que dizer que a publicidade é a culpada por todos os problemas e zeugmas sociais é a mesma coisa que culpa a Janela pela existência da paisagem.
    Publicidade influencia sim,
    Provoca influências sim,

    mas antes de se fazer isso o público receptor estará apto a concordar, a comprar e aderir a algo a alguma idéia seja ela louvável ou não para seu prórpio bem.

    Acho que pude aqui ajudar alguém, a algo, mesmo sabendo que posso me contentar apenas na aplicação de um novo conceito lúdico para uns e factuais para mentes mais limpas.

    João Paulo Cavalléro Diretor de Comunicação da Amazônida Clínica de Marketing e Gerente de Operações e Comunicação do Projeto Inclusão e Responsabilidade Social é Show

  8. Carvão Organico.
    Eu José Sebastião de Souza tenho uma Patente pelo INPI (Instituto Nacional de Produtos Indústriais) em andamento de Carvão Ôrganico!

    Gostaria de saber se há enteresse de patrocinar minha idéia, pois é uma idéia inovadora pois é composto de máteriais Ôrganicos(Resto de frutas e Legumes etc..)!
    A máteria prima do composto vem de fontes secundárias que é 100% natural .
    Grato.

    José Sebastiâo de Souza
    Telefone:(011) 44741743-(011)95264214 – Santo André, São Paulo-Brasil
    E-mail(ambientalistathiago@hotmail.com)

    Aguardo contato!!!


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