top planejamento:: dia#2

março 22, 2007 às 12:05 pm | Publicado em Sem categoria | 2 Comentários

Terminou hoje o Top Planejamento 2007 e acho que o segundo dia apresentou, pelo menos em uma das palestras, o que se espera de um evento que trata de Planejamento Estratégico: menos regras, mais idéias, menos esquema e mais inspiração.

A primeira palestra do dia foi do Leonardo Lima, diretor de marketing da FEMSA, só que infelizmente eu não pude acompanhá-la toda. Cheguei no meio das perguntas, então, não vou conseguir fazer nenhum tipo de comentário.

O segundo palestrante do dia foi o professor chefe do departamento de humanas de ESPM Mário René Schweriner, que abordou o tema do consumismo e as implicações disso na vida das pessoas, da comunicação e do marketing. Praticamente toda a apresentação ficou em cima da metáfora da ampulheta e dos “necejos”, termo cunhado por ele próprio para simbolizar desejos que de tão enraizados na nossa mente já represntam necessidades em pé de igualdade com as nossas mais básicas. Apesar de terem sido apresentados conceitos e idéias que merecem alguma reflexão mais profunda, acredito que esse conteúdo tenha sido passado de forma um tanto vazia e, em alguns momentos, até mesmo sentencial no sentido de definir com uma certeza, ao meu ver, imprópria uma pessoa consumista ou não. Fora isso, faltou algum tipo de relação da questão do consumismo, da criação de necessidades, desejos ou os tais “necejos” com o trabalaho do planejador, real objeto do evento.

ampulheta1.jpg

A última palestra foi de Ken Fujioka, que nos apresentou uma nova forma de pensar comunicação e Planejamento Estratégico, colocando a dimensão do tempo na jogada na hora de avaliar uma idéia, um plano ou qualquer tipo de comunicação. Seu ponto de partida é que a propaganda tradicional interrompe as pessoas no que elas realmente estão querendo fazer e que o consumidor não está a espera da próxima mensagem das nossas marcas: “A vida real é muito mais legal do que ver propaganda”. O desafio é, portanto, que as marcas consigam ser tão ou mais legais do que as coisas com que as pessoas ocupam seu tempo, ganhando algum tipo de relevância na vida delas. Diante disso tudo, será que melhor do que julgar as idéias por aceitação ou recall, não é melhor avaliá-las pelo tempo que as pessoas querem passar com ela?

Depois de ter contextualizado o planejador no meio desse novo jeito de pensar comunicação, Ken mostrou 3 cases da JWT que mostravam bem o que ele estava querendo dizer. O primeiro era de Ford Bold Moves, uma série de mini-documentários que mostram principalmente para a imprensa e para o público interno nos EUA o que realmente a Ford é e que tipo de decisões ela está tomando frente a alguns problemas. Outro case mostrado foi o excepcional “Lado Coca-Cola da Música”, que expandiu os limites da comunicação e virou até programa de TV, o estúdio Coca-Cola que vai ao ar domingo na MTV. E um último case foi o de Ford Fiesta 2008, que apesar de ser mais convencional nos canais, tem um conceito que desconstrói tanto valores e clichés da categoria que enche os olhos de qualquer planejador.

Fazendo um balanço geral, posso afirmar para vocês que quando o evento terminou hoje, eu infelizmente não saí muito contente. Mesmo com a excelente palestra do Ken, que finalizou o Top, a impressão é que ele ficou bastante aquém do que se esperava. Acho que uma disciplina relativamente nova como o Planejamento Estratégico precisa fomentar discussões e pontos de vista que vão um pouco além de conceitos óbvios e regras prontas.

De qualquer forma, é super válida a iniciativa de promover encontros desse tipo e espero que os próximos possam ter um conteúdo um pouco mais profundo e essencialmente mais inspirador.

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2 Comentários »

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  1. e aí Felipe, beleza?

    tb sou sócio do GP e já visitei seu blog anteriormente,

    concordo com vc, acho que um evento dirigido para uma disciplina tão instigante deveria ser mais inspirador. O que me decepcionou mais na verdade foi a audiência, poucas perguntas, me parecia formada em demasia por estudantes.Pelo que entendi estavam ouvindo alguns assuntos pela primeira vez na vida. No entanto, dizer que apenas a palestra do Ken foi bacana , a única inspiradora e tantos outros adjetivos. é (na minha opinião) ser injusto.

    Assim como a do Ken, a palestra do Marcello Magalhães tb foi muito bacana e trouxe uma série de novidades, além de ser uma apresentação muito inspiradora vc não achou?

    sei que o Ken é seu diretor aí na JWT, mas acho que ser imparcial é uma carcterística bacana pra quem trabalha como planner, e mais ainda pra quem comenta publicamente suas impressões.

    grande abraço e boa sorte!

  2. Fala, Dima!! Valeu pela audiência ae. Muito legal!

    Vou ser bem sincero contigo: não acho que fui imparcial na cobertura do evento não! Pode até dar essa impressão porque eu trabalho na JWT, mas tudo o que eu falei foi a minha opinião.
    Se você leu o post anterior, viu que eu falei super bem da palestra do Marcelo. Tirei bastante coisa legal. Mas não achei ela nem nova nem inspiradora [tenha sempre em mente que isso são conceitos pessoais]. Claro que você pode discordar, mas essa é a minha opinião!
    Fiquei com receio de parecer “puxa saco” do Ken, mas, de verdade, não me sentiria bem omitindo que a melhor palestra dele foi a melhor do evento. Porque realmente foi! =)

    Mas vamos discutir aí que essa é a alma de todo blog.


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