Buy (LESS)

março 29, 2007 às 3:35 am | Publicado em Atitude | 4 Comentários

É, está cada vez mais difícil tentar fazer alguma coisa pelo “bem da humanidade”. Hoje em dia parece que ninguém mais sai impune a nada. Até mesmo as causas que aos nossos olhos são consideradas as mais nobres possíveis sofrem ataques de algum lado.

Foi o que aconteceu com os produtos (RED), iniciativa lançada por Bonno Vox e Bobby Shriver, Chairman da DATA, para levantar grana para a Global Fund, visando combater o problema da AIDS na África. A idéia é super simples, mas ao mesmo tempo muito inteligente: criar uma chancela que seja símbolo mundial de consumo responsável, e que seja aliada a algumas das mais cobiçadas marcas e alguns dos mais cobiçados produtos do mundo, como iPods, V3, roupas da GAP e do Empório Armani, cartões de crédito AMEX etc. Eles deixam bem claro: não se trata de caridade, mas sim de opção. Você pode ou não comprar produtos (RED), mas comprando-os, você tem a certeza de que uma porcentagem dessa grana está indo para o combate da AIDS na África.

red.jpg

A princípio, a iniciativa é louvável, mas teve gente por aí que não concordou muito com isso e achou que o (RED) não passava de uma atitude marqueteira dessas marcas para nos coagir a consumir mais ainda seus produtos, só que agora engajados em nome de uma causa mais justa do que o simples desejo tão deliciosamente mesquinho da ostentação. Disso surgiu o contra-movimento Buy (LESS), parodiando os produtos (RED) e tendo como maior manifesto a idéia de que o consumo não resolve os problemas da humanidade, só os aumenta. A assinatura do movimento é “Shopping is not a solution. Buy (LESS). Give more”.

buy-less.jpg

Eu confesso para vocês que fico num dilema quanto a essa questão. Quem está certo nessa história: PRODUCTS (RED) ou Buy (LESS)? É uma causa nobre que tem realmente a intenção de contribuir para um resolver um sério problema da humanidade ou uma atitude puramente comercial e marqueteira que quer nos coagir a comprar só porque a “causa é boa”?

Correndo o risco de ser mureteiro, eu digo a vocês que acho que os dois estão certos, mas não totalmente. O (RED) certamente é uma iniciativa excelente. Levantar a bola do consumo responsável criando uma marca para ajudar crianças com HIV na África e se valer de grandes grifes mundiais para tal é realmente uma atitude inquestionável. Tão inquestionável (pelo menos no meu ponto de vista) quanto o fato de eles terem um puta fim comercial. Todas as marcas que participam do (RED) se aproveitam demais dele, passando por bons moços que estão “levantando a bandeira da extinção da AIDS no continente mais pobre do mundo”. Certamente elas entraram nessa muito mais por isso do que pela contribuição que estão dando pela causa.

Bom, mas essa é só a minha opinião. Alguém aí tem outra?

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4 Comentários »

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  1. Pouco importa a intenção (marketeira ou não), o que vale mesmo é o RESULTADO.

    Pense nas ações de sustentabilidade “verde” que estão rolando atualmente. Há uma pressão social e mercadológica que as levam a agir dessa maneira. É claro que a intenção das empresas não é salvar o mundo. MAS POUCO IMPORTA! o resultado ecológico é o que vale.

    Desta maneira, PRODUCTS (RED) estão muito mais adequados ao nosso padrão consumista de sociedade, portanto, terá resultados muito mais espressivos (arrecadação de fundos) para a sociedade.

    Buy (lees), Give More é uma idéia totalmente idealista e fadado ao fracasso, simplesmente porque vai na contra-mão do sistema. Ninguém vai deixar de consumir para doar seu dinheiro.

    PS.: Mandeville escreveu um poema STAILE sobre isso. “Fábula das Abelhas” traduz nossa sociedade em que “Vícios pessoais” trazem “Benefícios públicos”. PRODUCTS (RED) seguem muito esta linha.

    Diego Senise

  2. Olá Felipe! Concordo com seu ponto-de-vista, a iniciativa é sem dúvida nenhuma louvável. As empresas que iniciaram esse movimento mostraram uma nova alternativa ao consumidor, claro que preferiram fazer isso da maneira mais atrativa possível, afinal ‘contemporary civil society can be led anywhere that looks attractive, glamorous and seductive’ o que também abre espaços para ataques, mas considero isso normal. Parabéns pelo blog, excelente o post sobre viral tbm, continnue com essas discussões!
    Abs

  3. Concordo com o Diego.
    Que uma ação deste tipo gera resultados, não tenha dúvida. Não sei se cabe analisar o fim da empresa ao topar… Porque acho que são fins de natureza completamente diferentes mas que, nesse mundo de ponta cabeça, acabam convivendo lado a lado: o fim mercadológico e o fim filantrópico (ou o que quer que isso se chame). Mais uma vez os fins justificam os meios, e dá-lhe Machiavelli!

  4. O PRODUCTS (RED) não deixa de ser um dos muitos exemplos de marketing societal que encontramos hoje em dia. Abraçar uma causa social e defendê-la com a finalidade (também) de encher os bolsos. Por que não? Por que não agregar valor à marca e combater uma doença que está dizimando todo um continente, e de quebra, gerar lucro para a empresa?
    Essa camuflagem ideológica gera benefícios para todos os vértices: para a empresa, para a nação que padece e para o consumidor, que opta pela compra do produto socialmente responsável.


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