Buy (LESS)

março 29, 2007 às 3:35 am | Publicado em Atitude | 4 Comentários

É, está cada vez mais difícil tentar fazer alguma coisa pelo “bem da humanidade”. Hoje em dia parece que ninguém mais sai impune a nada. Até mesmo as causas que aos nossos olhos são consideradas as mais nobres possíveis sofrem ataques de algum lado.

Foi o que aconteceu com os produtos (RED), iniciativa lançada por Bonno Vox e Bobby Shriver, Chairman da DATA, para levantar grana para a Global Fund, visando combater o problema da AIDS na África. A idéia é super simples, mas ao mesmo tempo muito inteligente: criar uma chancela que seja símbolo mundial de consumo responsável, e que seja aliada a algumas das mais cobiçadas marcas e alguns dos mais cobiçados produtos do mundo, como iPods, V3, roupas da GAP e do Empório Armani, cartões de crédito AMEX etc. Eles deixam bem claro: não se trata de caridade, mas sim de opção. Você pode ou não comprar produtos (RED), mas comprando-os, você tem a certeza de que uma porcentagem dessa grana está indo para o combate da AIDS na África.

red.jpg

A princípio, a iniciativa é louvável, mas teve gente por aí que não concordou muito com isso e achou que o (RED) não passava de uma atitude marqueteira dessas marcas para nos coagir a consumir mais ainda seus produtos, só que agora engajados em nome de uma causa mais justa do que o simples desejo tão deliciosamente mesquinho da ostentação. Disso surgiu o contra-movimento Buy (LESS), parodiando os produtos (RED) e tendo como maior manifesto a idéia de que o consumo não resolve os problemas da humanidade, só os aumenta. A assinatura do movimento é “Shopping is not a solution. Buy (LESS). Give more”.

buy-less.jpg

Eu confesso para vocês que fico num dilema quanto a essa questão. Quem está certo nessa história: PRODUCTS (RED) ou Buy (LESS)? É uma causa nobre que tem realmente a intenção de contribuir para um resolver um sério problema da humanidade ou uma atitude puramente comercial e marqueteira que quer nos coagir a comprar só porque a “causa é boa”?

Correndo o risco de ser mureteiro, eu digo a vocês que acho que os dois estão certos, mas não totalmente. O (RED) certamente é uma iniciativa excelente. Levantar a bola do consumo responsável criando uma marca para ajudar crianças com HIV na África e se valer de grandes grifes mundiais para tal é realmente uma atitude inquestionável. Tão inquestionável (pelo menos no meu ponto de vista) quanto o fato de eles terem um puta fim comercial. Todas as marcas que participam do (RED) se aproveitam demais dele, passando por bons moços que estão “levantando a bandeira da extinção da AIDS no continente mais pobre do mundo”. Certamente elas entraram nessa muito mais por isso do que pela contribuição que estão dando pela causa.

Bom, mas essa é só a minha opinião. Alguém aí tem outra?

Venda que te quero verde

fevereiro 28, 2007 às 1:21 pm | Publicado em Ad, Atitude | 8 Comentários

Com toda a disussão acerca da emissão de poluentes, aquecimento global, Protocolo de Kyoto e tudo mais, a causa ecológica tem ganhado muita força. Inclusive, força de vendas, visto a quantidade de ítens que já são comercializados em sua versão “ecologicamente responsável”. Só que o mais interessante é que o verde não está vendendo porque a causa ecológica é a melhor delas e merece nosso apoio muito mais do que as outras. O fato é que vira e mexe tem algum hype politicamente correto que pauta as discussões na mídia e, consequentemente, nos departamentos de marketing das grandes corporações. Não faz muito tempo que a moda era a obesidade e o ataque à junk food, lembram?

Pois bem, felizmente ou infelizmente, a nova moda é o verde. E agora tudo que é marca quer tirar a sua casquinha, tornando incontáveis as publicitarices em prol da causa.

Elas vão desde coisas pequenas como a Ikea que não vai mais dar sacolinhas de plástico grátis para os seus consumiodres até coisas maiores como o mote da campanha da Copa do Mundo Brasil 2014, que vai apelar para o engajamento verde. Para ver como a questão está na moda, no último domingo (25/02) a Academia premiou com o Oscar o documentário “Uma Verdade Incoveniente”, estrelando o ex-vice presidente americano Al Gore. [E, cá para nós, apesar de um ser um filme sério e honesto, não tem como deixar de considerá-lo publicitarice social e política].

Mas o que mais chamou atenção recentemente foi a Honda, que pintou um grande mapa mundi no carro da sua escderia na F1. A idéia é eliminar todos os logos que patrocinavam a escuderia e fazer um modelo de licenciamentos para levantar a bandeira pela causa ecológica numa escala global, dado o alcance que as corridas têm pelo mundo a fora.

honda_f1_2007.jpg

O bacana dessa ação é que as pessoas também podem participar. A idéia é visitar o site myearthdream e fazer uma promessa ecológica. Daí, mediante determinada quantia, seu nome e sua promessa aparecerão no carro no lugar dos patrocinadores que costumavam estar por lá.

Muita gente discute se é certo ou não a publicidade se aproveitar dessas coisas para vender seus produto. Se é ético chupinhar causas nobres em prol do vil metal. Se é honesto usar de questões dessa natureza para enganar pessoas, fazendo-as desejar aquilo que elas não precisam e pagar por isso o dinheiro que elas não têm.

Bom, por ser (quase) publicitário, talvez eu seja suspeito para falar, mas, sinceramente não vejo as coisas dessa forma. Se o papel das marcas hoje é ter um relacionamento legal e ocupar um espaço importante na vida das pessoas, por que não “apoiar” uma causa que tem sido relevante na vida delas? Qual o mal em trazer cada vez mais essas questões para elas pensarem, refletirem e, até mesmo participarem e interagirem? Onde está o pecado em promover ou patrocinar eventos, conursos e desafios que ajudam o meio ambiente, mesmo que de forma pontual? Afinal, a publicidade é ou não um cadáver que nos sorri?

Obviamente, por trás de qualquer uma dessas ações há o “perverso” objetivo de vendas e a maioria das marcas (para não dizer todas) está pouco se lixando se a temperatura do mundo sobe 1, 2 ou 10ºC por década. Só que a publicidade se apropria de tantas questões nobres, de tantos sentimentos humanos e coisas que não se vendem, que chega a ser hipócrita a questão ética nesse caso. Como julgar se essa ou aquela marca é verde mesmo ou se está só querendo tirar uma casquinha? E se estiver tirando só uma casquinha, qual é o probelma?

Acho que marcas que aproveitam bem (e por bem entendam com uma idéia que seja maior do que um “plante uma árvore”) esses hypes politicamente corretos que a mídia pauta estão certíssimas. Se é importante para o mundo, a mídia vai pautar. Se a mídia pauta (de acordo com todas as questões de agenda setting), as pessoas vão comentar e isso vai se tornar importante para elas. Se é importante para as pessoas, é importante para as marcas. Se é importante para as marcas, elas tem que encarar como uma oportunidade e só se preocupar em acertar a mão para aproveitá-la direito, porque a questão moral e ética nesse caso, para mim não passa de idealismo hipócrita e oportunista de jornalista cri cri.

UPDATE: e não é que até a JWT entrou nessa onda verde com seu simpático reloginho!!

jwt_relogio.JPG

Quebra tudo!!

fevereiro 23, 2007 às 4:19 am | Publicado em Ad, Cool | 3 Comentários

Parece que agora a nova moda nas agências de publicidade é destruir coisas para poder vendê-las, por mais paradoxal que isso possa parecer. Acho notável como as pessoas curtem todos os tipos de coisas que são quebradas, destruídas, explodidas, implodidas, trituradas ou o que quer que seja, desde que faça bastante sujeira.

Exemplos disso não faltam. A Nike mesmo fez uns viraizinhos para anunciar suas poderosas bolinhas de golf Juice 312. Poderosas porque, se arremessadas por um canhãozinho, elas podem destruir coisas inusitadas como um coelhinho de brinquedo, um bolo de aniversário, uma Lava-Lamp, uma máquina de balas entre outros.

Outra marca que apostou na destruição para comunicar foi a cerveja Milwaukee Best Light, que construiu um alvo gigante para que uns malucos pudessem atirar latinhas em vítimas não menos inusitadas como melancias, melões, TVs, aparelhos de som, vasos de flores…

Agora quem me chamou atenção mesmo foi a Absolut, que usou a moda da destruição de coisas para dar suporte à idéia do seu novo produto, a Absolut Pears. O conceito é apresentado por meio da assinatura “The new taste of temptation” e fala sobre a destruição das velhas tentações da nossa vida em favor do novo sabor da tentação ou seja, da Absolut Pears.

pears_1024768_apple.jpg

Ainda poderia citar exemplos como a famosa série Will it Blend? da Blendtec ou até mesmo as consagradas coreografias das explosões causadas pela mistura de Coca-Cola Diet e Mentos. Mas o fato curioso mesmo é a proliferação desse tipo de execução, bem como seu enorme potencial viral. Essas marcas acabam passando um tempo especial na vida das pessoas por estarem realizando um desejo reprimido delas de destruir e quebrar as coisas dos jeitos mais estranhos que poderiam pensar em fazer, mas normalmente não podem ou não conseguem.

Agora, o que seria mais bacana ainda é se essas marcas dessem a possibilidade de as pessoas poderem fazer isso elas mesmas. Sair do virtual e ir para o real. Fazer as pessoas interagiram com a marca de forma mais concreta, com uma experiência mais forte.

Eu com certeza estaria na fila para destruir várias dessas coisas :-)

Valeu pela dica, Bazán

The Oscar Goes To…

fevereiro 14, 2007 às 2:03 am | Publicado em Ad, Cine, Cool | 1 Comentário

Com todo esse agito pré-Oscar, a Fox aproveitou para dar mais uma divulgadinha no longa dos Simpsons que estréia ainda esse ano. São os palpites do astro Homer Simpson.

homer-oscar.jpg

Alguém mais achou que os palpite/comentários do Homer são muito melhores do que os do mala do Rúbens Ewald Filho ou fui só eu?

Dica do Ilustrada no Cinema

Nostalgia

janeiro 26, 2007 às 5:44 pm | Publicado em Cool | 2 Comentários

Nostalgia é sem dúvida um dos meus sentimentos preferidos. É demais poder relembrar coisas que te marcaram num passado já meio distante. No mínimo você solta aquele sorriso e pensa: “caraca, queria MUITO poder fazer isso de novo”.

Isso foi o que aconteceu hoje na agência, quando o Thiago (estagiário de planejamento) mandou um comercial do Atari no e-mail da agência.

Eu achei muito testão o filme, mas ele não me marcou tanto quanto poderia porque eu não tive Atari de pequeno, só Master System. Mas aí, eis que surge – nos links relacionados que aparecem sempre ao final dos vídeos do YouTube – ele, meu herói durante alguns bons anos de criança: Alex Kidd. Sim, aquele mesmo que vinha na memória do Master. Obviamente, eu cliquei na hora para ver do que se tratava e relembrar o tempo em que eu só jogava essa trolha dia e noite.

E desse surgiu outro, que mostrava uma das fases mais memoráveis do game: o Jokempo.

Nem precisa falar que a minha reação foi exatamente aquela que descrevi no início do post. Sorriso, lembrança e muita vontade de poder jogar de novo, só por umas duas horinhas. E é engraçado que o que mais faz a lembrança ser gostosa e presente na nossa memória são as músicas desses jogos antigos. Elas eram muito animais e marcavam o game com uma força impressionante.

E nessa de pilhar na música, acabei lembrando de um vídeo em que um coral reproduzindo a famosa musiquinha do Mário Bross.

Alguém sabe aí se existe emulador do Alex Kidd pra Playstation 2?

Tanques de guerra, carros de guerrilha

janeiro 22, 2007 às 3:20 am | Publicado em Ad, Cool | 1 Comentário

Recentemente, vi duas ações de guerrilha muito bacanas utilizando carros.

A primeira, e mais genial, foi desenvolvida pela Serviceplan para a Giller, agência de viagens de Munique. O objetivo era motivar as pessoas a aproveitarem as promoções da agência e viajarem no feriado. Para isso, resolveram aproveitar o frio que estava na Alemanha e provocar as pessoas, mostrando a temperatura de praias e países tropicias. O melhor de tudo é que eles faziam isso escrevendo a dedo nos vidros dianteiros de carros cobertos de neve.

ibsnowpro.jpg

A segunda ação foi feita para o estacionamento Car Park. A ideía era extremamente simples e conseguia, além do impacto visual do meio suportando a mensagem, um buzz entre as pessoas que passavam por alí. Os caras pegaram um carro, deixaram-no estacionado num lugar descoberto e decoraram-no com merda (sorry) de pombo. Então, na capota do carro, tinha um display com o texto: “Try us instead”.

carpark1xk1.jpg

carpark2ms0.jpg

E dá-lhe guerrilha!!

Borat

janeiro 13, 2007 às 9:09 pm | Publicado em Cine, Cult | 2 Comentários

noitao.jpg

Ontem fui com a minha namorada e meus cunhados pela primeira vez ao já famoso Noitão do HSBC Belas Artes. Pra quem ainda não o conhece, trata-se de um evento muito bacana que consiste em passar 3 filmes “cult” ao longo da madrugada. Além do inusitado de virar a madrugada no cinema, o evento chama atenção pelo público super animado, pelos sorteios nos intervalos e pelo café da manhã na saída. Como amante de cinema, claro que sempre tive muita vontade de participar do Noitão, mas vou ser honesto e confessar que o que me levou até lá não foi o evento, mas sim a vontade de ver a sensação do momento nos EUA: Borat.

Outra confissão que eu devo fazer é que descobri esse filme muito por acaso. Estava zapeando a TV descompromissadamente quando parei para assistir ao excelente David Latterman. Nesse exato momento, ele estava anunciando um de seus convidados, o humorista judeu e britânico Sacha Baron Cohen, que estava estreando um filme chamado Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América . De repente, entra um cara de terno, muito alto e com um bigode igualmente grande. Em agradecimento as palmas da platéia, ele começou a dançar, beijar o apresentador, fazer a a maior confusão para sentar, além de zoar com o líder da banda do programa, Paul Shaffer. Acho que melhor do que meu relato é vocês assistirem a uma parte da entrevista.

Assim que acabou a entrevista, fui pesquisar mais sobre esse filme e a cada matéria eu ficava com mais vontade ainda de assistir. Tava na cara que ia ser muita risada garantida. E, cá pra nós, está cada vez mais difícil fazer isso no cinema.

Essa impressão que eu tive acabou mais do que se confirmando do decorrer do filme. Sem exageros, de todas as comédias a que eu assisti, Borat foi a que eu ri com mais constância. A idéia de Sacha Baron Cohen foi criar um repórter e fazer um falso documentário, a fim de conhecer mais a cultura norte americana e levar valiosas lições ao seu “glorioso país”, o Cazaquistão, que perecia de problemas sociais, econômicos e… judáicos, segundo o próprio Borat.

borat001.jpg

Uma das coisas que eu achei mais legal do filme é como ele consegue, por meio de um humor ácido e satírico que extrapola em muito as barreiras do politicamente correto e socialmente aceito, expor vários tipos da sociedade norte-americana, tais como o racista, o conservador, o belicista entre outros. Todos esses tipo acabaram sendo um prato cheio para Borat poder fazer suas piadas e causar muito constrangimento a quem ele entrevistasse. É muito engraçado também perceber as reações reais das pessoas frente às loucuras de Borat. Elas ficavam espantadas, enojadas, temerosas e algumas até agressivas frente a seu humor multifacetado que vai desde o satírico-irônico até o escatológico e pastelão, passando sempre pelo escrachado e caricata. Enfim, é uma farra.

Eu acho que esse filme é imperdível, seja pela idéia, pelo ator ou pela risada, que como eu disse anteriormente, é 100% garantida. Mas para quem depois de tudo isso ainda não acredita em mim, tem a chance de ver com seus próprios olhos o trailler do filme que deve estrear em fevereiro aqui no Brasil.

Pra finalizar, queria listar alguns resultados práticos que as confusões do Borat trouxeram.

1) Ódio do povo e do governo do Cazaquistão, que achou um desrespeito o que ele fez com o país;

2) Ódio dos ciganos romenos, que são retratados como estupradores e assaltantes;

3) Ódio de anônimos que participaram do filme e se sentiram lesados moralmente;

4) Ódio de um anônimo em especial, que foi vítima de uma piada de Borat e revidou com um soco em seu nariz;

5) Ódio de Kid Rock, marido de Pamela Andresson, que teria ficado louco da vida com a participação dela no longa no papel de paixão platônica do repórter assim que chegou à América. Rolou até pedido de divórcio.

E aí, vale ou não vale o ingresso?

As melhores idéias de 2006

janeiro 9, 2007 às 2:27 am | Publicado em Ad, Brand, Cool, Inspiring | 2 Comentários

A Contagious Magazine soltou recentemente um documento que compila todas as melhores (ou mais contagiantes segundo ele) idéias de 2006. Para isso, dividiram as idéias em 16 categorias, tais como design, gadgets, gaming, viral, event, website, branded, UGC etc.

contagious.jpg

Sinceramente, acho que não vale a pena passar idéia por idéia que a Contagious elegeu, mesmo porque eu já postei aqui, aqui e aqui algumas delas. Mas acho que o que vale bastante a pena é fazer uma análise para tentar descobrir o que todas essas idéias têm em comum. O que elas tem de tão especial que as tornam grandes sacadas?

Lendo o documento com um pouco de cuidado e pensando durante algum tempo nessa questão, cheguei à conclusão que praticamente todas as idéias se concentram muito em entreter as pessoas, pelo meio mais bacana que há atualmente: a interatividade. Claro que hoje podemos falar que em várias dessas idéias há compartilhamento, colaboração, geração de conteúdo, brand enterteinment, customização etc. Mas acho que tudo isso acaba tendo o entretenimento pela via interativa como elemento central.

E, na boa, eu acho que esse lance de interatividade é muito mais simples de entender do que parece. Podemos usar algumas situações corriqueiras de convívio social para sacar. Por exemplo, quando você sai para jantar com aquela turma de amigos da sua namorada que ela adora, mas que você sente que não tem nada a ver com você. Você tenta ser simpático e faz de tudo pra agradar, afinal, é sua namorada e você quer participar também da vida social dela. No entanto, tenho certeza que muitas vezes você se pegou quieto, sem a possibilidade de emitir uma opinião ou um comentário. E isso acontecia ou porque você não via abertura ou porque realmente as pessoas não te davam abertura. Você até pode curtir o papo, mas como não tem muitas possibilidades de participar, não sente vontade de continuar lá por muito tempo.

Situação completamente diferente é quando você sai com seus amigos. Esse grupo de pessoas te abriga de um tal jeito que você quer falar, brincar, fazer piadas, dar opiniões, fazer comentários e tudo mais. Porque você sente que pode fazer isso, que aquele grupo te possibilita essa interação. Resultado: você quer sair mais, de novo e de novo.

Eu acredito que seja bem essa a lógica da interação que a maioria das boas idéias apontadas pela Contagious proporciona. Elas têm a capacidade não só de prender a atenção do receptor, mas também de fazer com que ele responda, comente, reproduza e, principalmente, espalhe.

Para não ficarmos só nas idéias senso comum do tipo YouTube, MySpace, Second Life, Wii, blá, blá e blá, vamos pegar alguns exemplos diferentes dentro da seleção da Contagious. Um deles é a categoria Retail, em que as três melhores lojas do ano foram Nokia, Apple – ambas em NYC – e Nike em Londres. Desses três, acho que o exemplo que mais vale a pena comentar é o da Nokia, que teve a sacada de conectar celulares a telas LCD gigantes. A idéia era fazer com que as pessoas enviassem mensagens dos celulares expostos na loja e que elas fossem reproduzidas diretamente nas telas. Nem precisa falar que divertido e que puta experiência de consumo que isso era para as pessoas que entravam lá.

Para a Nokia, vender celular ali era certamente o de menos. O que a marca ganha em termos de imagem e awareness com isso já paga a conta do investimento e sobra um bocado, mesmo sem vender um dólar.

nokia_store.jpg

A categoria Ambient também é uma boa para falar de interatividade. Os campeões foram a IKEA com o seu mobiliário urbano, o Mc Donalds com seu relógio solar e Adidas com aquela bola gigante.

ikea-bus-stop.jpg

mcdonalds_clock.jpg

adidas_be-the-ball.png

Todas são maneiras muito interessantes de entrar em contato com as pessoas de uma forma diferente e interativa. Quão bacana é você poder esperar seu ônibus sentado no sofazinho que a IKEA montou ali? E vai falar que não é no mínimo curioso que dependendo da posição do sol o Mc Donalds te indique um prato? E, principalmente, quem não queria ter voado dentro daquela bola de futebol gigante que a Adidas montou na Nova Zelândia? Isso tudo é a marca interagindo e entrando na vida das pessoas de um jeito especial, proporcionando-lhes alguns bons e memoráveis momentos de entretenimento.

Por fim (até porque esse post já passou os limites aceitáveis de texto na internet), acho legal falar da categoria Event. Os três eleitos são bacanas, mas quero dar destaque apenas para o Greenspace da Heineken. Na verdade, ele começou com um evento, mas hoje é muito mais do que isso. A sacada da marca foi revitalizar um bairro em Valência na Espanha e aproveitar para construir lá um espaço próprio, voltado para o desenvolvimento de criatividade (arte, música, design, filmes etc.). Depois do festival de lançamento, esse espaço é aberto diariamente para que as pessoas possam bater papo e desenvolverem suas idéias num espaço fértil para tal. Tudo sob o “sponsor” da Heineken, que dessa maneira, tornou-se extremamente relevante na vida das pessoas daquele bairro e até mesmo daquela cidade.

greenspace.jpg

A última conclusão que eu consigo tirar disso tudo, além do que eu já falei a respeito de entretenimento e interatividade, é que não é só na internet que moram as grandes idéias.  Todo mundo fala que o futuro da publicidade é na internet, mas acho que não é bem assim. Certamente ela terá papel cada vez mais fundamental no lançamento e suporte das campanhas, só que eu penso que o futuro da publicidade estará onde uma boa idéia estiver. E com uma boa idéia, quero dizer algo que altere o relacionamento das pessoas com as marcas, que lhes ofereça entretenimento, que interaja e que ganhe cada vez mais espaço em suas vidas. E essas idéias certamente podem, sim, estar nas ruas, nas lojas, nas praças, nas casas de shows e onde mais um cérebro criativo possa alcançar.

O lado Coca Cola da Música

janeiro 4, 2007 às 2:13 am | Publicado em Ad, Brand, Cool | 15 Comentários

Vem aí mais uma ação bacana da Coca-Cola dentro do já consagrado posicionamento “Viva o Lado Coca-Cola da Vida” (“Live the Coke Side of Life”). Amanhã estréia num break exclusivo de 60″ durante o Jornal Nacional a campanha Viva o Lado Coca-Cola da Música, desenvolvida pela JWT.

A idéia estratégica gira em torno do conceito de hibridismo, celebrando as misturas legais que a música pode produzir desde que as pessoas estejam abertas para isso. Se você não gostar nem de Zezé de Camargo e Luciano, nem de Sepultura, por que você não pode gostar do resultado dessa fusão? O “Lado Coca-Cola da Música” é essa cabeça aberta, essa possibilidade de fusão e de hibridismo, sem preconceitos ou pré-julgamentos. O jovem curte isso. É cool ter a mente aberta para possibilidades, por mais bizarra que elas sejam. E outra coisa: eu não conheço nenhum jovem que não tenha uma ligação especial com música de algum jeito. Enfim, acho que foi uma ótima sacada da Coca-Cola e tem tudo pra dar muito certo, principalmente se a campanha transcender os meios convencionais e contemplar também ações de brand enterteinment, geração e compartilhamento de conteúdos, interatividade online e outras inúmeras outras possibilidades mais relevantes e envolventes para o target.

Mas de qualquer forma, vou postar aqui em primeira mão o filme e os prints, que são excelentes, diga-se de passagem. A execução em 30″, conseguiu passar de um modo muito divertido a idéia estratégica e os prints têm uma direção de arte de dar gosto.

vertical_120×180.jpg

rostos.jpg

coca2.jpg

UPDATE: a idéia estratégica da campanha desse projeto de música para Coca-Cola é da JWT, no entanto, os filmes de 30″ e 60″ foram criados pela argentina Santo. Os prints também são da JWT, criados por Roberto Fernandez e equipe.

Parece até piada

dezembro 14, 2006 às 5:13 am | Publicado em Ad, Cool, Non-sense | 3 Comentários

A cada dia que passa eu percebo que a publicidade está mais cheia de piadas. E eu não estou me referindo a manchetes do tipo “Roberto Justus voa no dirigível da Goodyear para comemorar a nova conta” ou “Famiglia anuncia outra grande conta: Hirudoid”. Não que isso não seja piada, mas quero falar sobre tirações de sarro com a profissão pubicitário.

Eu juntei vídeos, textos, fotos e tirinhas que retratam o lado cômico da publicidade. E nesse sentido, acho que quanto mais escrachado e/ou irônco melhor. E é curioso como tem umas coisas que acertam na veia e proporcionam muita auto-tiração-de-sarro.

O mais recente desse tipo que eu vi são crianças falando que querem trabalhar com publicidade quando crescerem. É hilário:

E tem coisa de tudo que é tipo. Essa tirinha aqui, por exemplo, veio diretamente do blog Publicidade de Saia e retrata o peculiar cotidiano real das agências:

publicidade-enganosa01.jpg

E como os planejadores não poderiam escapar ilesos, peguei do Cafeína duas características engraçadas desse pessoal esquisito: a indecisão e a encheção de lingüiça.

indecisao-publicitaria.jpg

o-caminho-ds-ideias.jpg

E para finalizar, acho que não teria nada melhor do que a engraçadíssima série “Truth in Advertising”, que é genial pela dose exagerada de sinceridade de seus personagens.

Eu acho essas manifestações muito boas. É legal pra caramba tirar sarro de si próprio, até porque isso faz com que nos conheçamos melhor, só que de um jeito relaxado, leve e descontraído. Afinal, não dizem por aí que o sorriso é o espelho da alma??

Ah, e se alguém aí conhecer outras piadas boas sobre publicidade, marketing e afins, deixa um comment aqui pra ver se a a gente consegue juntar bastante coisa engraçada e dar umas risadas.

Próxima Página »

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.