Borat

janeiro 13, 2007 às 9:09 pm | Publicado em Cine, Cult | 2 Comentários

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Ontem fui com a minha namorada e meus cunhados pela primeira vez ao já famoso Noitão do HSBC Belas Artes. Pra quem ainda não o conhece, trata-se de um evento muito bacana que consiste em passar 3 filmes “cult” ao longo da madrugada. Além do inusitado de virar a madrugada no cinema, o evento chama atenção pelo público super animado, pelos sorteios nos intervalos e pelo café da manhã na saída. Como amante de cinema, claro que sempre tive muita vontade de participar do Noitão, mas vou ser honesto e confessar que o que me levou até lá não foi o evento, mas sim a vontade de ver a sensação do momento nos EUA: Borat.

Outra confissão que eu devo fazer é que descobri esse filme muito por acaso. Estava zapeando a TV descompromissadamente quando parei para assistir ao excelente David Latterman. Nesse exato momento, ele estava anunciando um de seus convidados, o humorista judeu e britânico Sacha Baron Cohen, que estava estreando um filme chamado Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América . De repente, entra um cara de terno, muito alto e com um bigode igualmente grande. Em agradecimento as palmas da platéia, ele começou a dançar, beijar o apresentador, fazer a a maior confusão para sentar, além de zoar com o líder da banda do programa, Paul Shaffer. Acho que melhor do que meu relato é vocês assistirem a uma parte da entrevista.

Assim que acabou a entrevista, fui pesquisar mais sobre esse filme e a cada matéria eu ficava com mais vontade ainda de assistir. Tava na cara que ia ser muita risada garantida. E, cá pra nós, está cada vez mais difícil fazer isso no cinema.

Essa impressão que eu tive acabou mais do que se confirmando do decorrer do filme. Sem exageros, de todas as comédias a que eu assisti, Borat foi a que eu ri com mais constância. A idéia de Sacha Baron Cohen foi criar um repórter e fazer um falso documentário, a fim de conhecer mais a cultura norte americana e levar valiosas lições ao seu “glorioso país”, o Cazaquistão, que perecia de problemas sociais, econômicos e… judáicos, segundo o próprio Borat.

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Uma das coisas que eu achei mais legal do filme é como ele consegue, por meio de um humor ácido e satírico que extrapola em muito as barreiras do politicamente correto e socialmente aceito, expor vários tipos da sociedade norte-americana, tais como o racista, o conservador, o belicista entre outros. Todos esses tipo acabaram sendo um prato cheio para Borat poder fazer suas piadas e causar muito constrangimento a quem ele entrevistasse. É muito engraçado também perceber as reações reais das pessoas frente às loucuras de Borat. Elas ficavam espantadas, enojadas, temerosas e algumas até agressivas frente a seu humor multifacetado que vai desde o satírico-irônico até o escatológico e pastelão, passando sempre pelo escrachado e caricata. Enfim, é uma farra.

Eu acho que esse filme é imperdível, seja pela idéia, pelo ator ou pela risada, que como eu disse anteriormente, é 100% garantida. Mas para quem depois de tudo isso ainda não acredita em mim, tem a chance de ver com seus próprios olhos o trailler do filme que deve estrear em fevereiro aqui no Brasil.

Pra finalizar, queria listar alguns resultados práticos que as confusões do Borat trouxeram.

1) Ódio do povo e do governo do Cazaquistão, que achou um desrespeito o que ele fez com o país;

2) Ódio dos ciganos romenos, que são retratados como estupradores e assaltantes;

3) Ódio de anônimos que participaram do filme e se sentiram lesados moralmente;

4) Ódio de um anônimo em especial, que foi vítima de uma piada de Borat e revidou com um soco em seu nariz;

5) Ódio de Kid Rock, marido de Pamela Andresson, que teria ficado louco da vida com a participação dela no longa no papel de paixão platônica do repórter assim que chegou à América. Rolou até pedido de divórcio.

E aí, vale ou não vale o ingresso?

Mais um Olé de Almodóvar!

dezembro 12, 2006 às 4:34 am | Publicado em Cine, Cult | 5 Comentários

Volver é o mais recente filme de Pedro Almodóvar, um dos meus diretores de cinema favoritos (senão o favorito). Só que não foi apenas mais um filme que passa como todos os outros. Volver é uma grande obra que não fica devendo em nada para os grandes clássicos do espanhol como “Tudo Sobre Minha Mãe”, “Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos” e “Ata-me”.

Aliás, o diretor espanhol é um dos raros casos de cineatas que não declinam com o tempo como é o caso de Oliver Stone e do próprio Martin Scorsese, que ensaiou uma sobrevida com “Os Infiltrados”, mas que acabou ficando bem longe de alguns de seus clássicos (“Bons Companheiros”, “Taxi Driver” e “Casino”). Almodóvar consegue praticamente uma façanha por ter filmes muito bons sempre.

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O filme é bom em tudo, mas se sobressai principalmente em dois aspectos: o roteiro e as atuações, o que aliás não é novidade vindo de quem vem. O roteiro sempre surpreende muito com situações inusitadas, mas altamente reais e contadas de forma poética e não sensacionalista; e os atores nas mãos de Almodóvar dão um show a parte na telona.

Em Volver, Penélope Cruz está muito bem no papel da protagonista Raimunda, que vive uma situação muito complexa entre sua filha, seu marido, sua mãe, sua irmã e sua tia com desdobramentos inesperados típicos da filmografia do espanhol. Destaque especial para a linda cena em que Raimunda chora calada no momento em que é tratada como objeto sexual por seu embriagado marido Paco.

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Talvez a única coisa que eu tenha sentido um pouco de falta por se tratar de Almodóvar foi uma presença mais marcante da Loucura, personagem da maioria de seus filmes e de todos os seus clássicos. A loucura retredada pelo espanhol é riquíssima, já que na maioria das vezes além de sem limites ela é obsessiva e frequentemente onírica, buscando a todo custo a materialização de desejos surreais, que por incrível que pareça surgem de momentos epifânicos e não de contextos complexos.

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De qualquer forma, o filme é incrível no tratamento equilibrado que dá a tragédia e a comédia, que prende a atenção do espectador ora pela reflexão, ora pelo suspense, ora pelo drama e ora pelo puro entretenimento. Um filme que mais do que completo em suas questões técnicas aborda a vida de uma forma muito real, sem apelar para clichês, dramatizações forçadas e conteúdo sensacionalista.

Ao melhor estilo espanhol, um Olé de Pedro Almodóvar!

     

    

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