Ikea BokLok

abril 4, 2007 às 1:35 pm | Publicado em Brand | 4 Comentários

A Ikea é uma das marcas pelas quais eu tenho uma grande simpatia. Além de um conceito de loja super bacana, sua comunicação é impecável, sempre fazendo filmes muito divertidos e ações diferenciadas bem acima da média. Mas uma coisa em especial que eu não sabia e me chamou muita atenção é o projeto BokLok. Trata-se nada mais, nada menos de vender casas blocadas, pré-fabricadas e prontas para morar, “powered by Ikea”.

As casas BokLok (que se pronuncia “Book Look” e quer dizer algo como “moradia inteligente”) são todas feitas com materias naturais livres de desmatamento, com gestão inteligente de energia e um custo bem abaixo da média do mercado imobiliário europeu. Ela é facilmente “instalada” e com poucos ajustes de encanamento já está pronta para morar. Acho que para ser um produto típico de gôndola só falta a embalagem mesmo. :D

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Depois de um grande sucesso na Escandinávia, sua recente chegada ao Reiuno Unido foi vista com maus olhos por alguns arquitetos e intelectuais que alegam que o BokLok atua praticamente como um símbolo do depradação da condição de moradia huamana, condenada a viver em blocos sem a menor diferenciação e individualidade. Até contra esse tipo de argumento a Ikea se preparou, proporcionando alguns tipos de customização interna para os donos de BokLok não se depararem com as suas próprias casas quando forem visitar seus vizinhos.

Saindo um pouco do campo filosófico, a Ikea mandou muito nessa idéia. É brilhante uma marca de varejo mobiliário transcender os limites de seus produtos desse jeito e atingir um nível de pensamento mais ou menos assim: “Se vendemos coisas para colocar nas casas, por que não vendermos as casas prontas?”.

E com isso, a Ikea conseguiu fazer com que uma das poucas coisas no mundo que não eram branded passassem a ser. Ela acaba ganhando um valor ainda maior para a marca se fazendo presente em muitos dos momentos mais preciosos na vida das pessoas. Dá para imaginar algo material que possa fazer tanta diferença nas nossas vidas como própria casa em que vivemos? E isso se reforça mais ainda se pensarmos no público a que o BokLok se destina. Bem sabemos que as classes menores dão uma importância n vezes maior para o lar do que as outras. É uma conquista tão suada que é tratada com um carinho todo especial.

Essa é uma idéia muito dentro dos conceitos modernos de marca, mas… alguém aí acreditaria se eu contasse que o primeiro BokLok foi contruído na Suécia em 1997? É, gente, isso é Ikea!

Fiquei sabendo no Update or Die, mas os detalhes mesmo estão no The Guardian.

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Nokia N95 dando show

março 26, 2007 às 3:23 pm | Publicado em Brand | 3 Comentários

Esse assunto não é novo, deu em tudo que é canto na semana passada. Mas apesar disso, acho que vale a pena a gente aprofundar um pouco em todos os aspectos desse N95: um produto excepcional, a idéia estratégica certa e uma campanha extremamente criativa tanto no convencional quanto no “BTL”.

E garanto que não é exagero meu dizer que o produto é excepcional. O gadget consegue reunir uma câmera de 5.0 megapixels, filmadora com qualidade de DVD e saída para televisão, GPS, internet wi-fi e um player próprio de MP3 com fone wireless. Com ele você consegue facilmente tirar uma foto excelente de um acidente, por exemplo, e enviar para a publicação em algum jornal online. Dá também para baixar o capítulo da sua série preferida durante o dia, chegar em casa, conectar na TV e assistir na boa. Ou ainda traçar uma rota de ponto a ponto a qualquer hora se você estiver perdido. É toda a qualidade e tecnologia da convergência digital.

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Quanto à comunicação, que é mais nossa praia, podemos dizer que tudo começou como se deve, ou seja, com uma bom planejamento, com uma boa idéia estratégica.

O assunto principal – a convergência digital que o N95 representa – era até meio óbvio, mas não podia ser diferente. Partindo disso, o grande insight para explorar bem esse tema, foram os nossos bolsos, até porque eles são quem mais ganham com a convergência do aparelho :D. Pense bem, se a gente precisasse levar todos os gadgets do N95 nos bolsos, eles teriam que ser BEM grandes.

E foi exatamente a partir daí que se desenrolou toda a campanha de internet, chamada de Great Pockets.

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A historinha gira em torno da tradicional alfaiataria Henry Needle & Sons, que resolveu todos os problemas das pessoas que queriam carregar consigo o maior de números de gadgets possível, aumentando incrivelmente o tamanho de seus bolsos. Depois de uma interação bacana com o velhinho, rola um demo de produtos muito competente, partindo da idéia que com o N95 a gente não precisa de bolsos bizarros daquele tamanho.

Além disso, está rolando uma belíssima campanha na grande mídia, que é fundamental para amplificar tudo o que está sendo feito na internet. O filme é realmente incrível, porque alia uma direção de arte simples a um texto impecável e de muito apuro poético bem raro na propaganda. Aqui a idéia é sempre mostrar como as coisas que levamos em nossos bolsos são muito mais do que apenas uma coisa, mas um punhado delas, pensando em todos seus significados nas nossas vidas.

Essa é uma das campanhas recentes que mais me impressionou pelo que falei acima. Tudo funcionou na medida: planejamento, mídia, criação e, por que não, o cliente, que com certeza deve ter dado muita abertura e suporte para que tudo rolasse como rolou.

Show de bola!

O que me importa?

março 13, 2007 às 2:18 pm | Publicado em Brand | 4 Comentários

Uma das definições mais atuais e bem acabadas dessa coisa maravilhosa que passamos a vida atrás chamada idéia é: algo que tenha o poder de mudar o relacionamento das marcas com as pessoas. Algo que tenha realmente importância na vida delas. Uma idéia capaz de mudar, mexer, transformar. Penso que é disso especificamente que vivemos atrás.

Agora, as vezes me parece que falta algum tipo de critério na avaliação de uma boa idéia. Parece que o caminho das pedras é bem curto e fácil: os planejadores pesquisam um monte, botam a cachola para funcionar e bolam um conceito campeão. Os criativos, com seu toque de genialidade, pegam essa idéia, executam em página dupla e 30”. Daí é só os mídias entucharem GRP na galera e correr para o abraço. Mais um golaço da agência, mais 3 pontos na conta do cliente. Afinal, essa idéia certamente vai mudar a relação das marcas com as pessoas e certamente vai fazer muita diferença na vida delas.

Só que nem sempre é bem assim. Ou melhor, quase nunca é assim. É muito engraçado perceber como de vez em quando há uma enorme diferença entre o que os publicitários pensam que faz diferença na vida das pessoas e o que realmente faz. No final das contas, o que disso tudo que é feito realmente importa para o consumidor? Qual é a real diferença que um anúncio de revista ou 30” na TV fazem na vida dele?

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Ele entra em contato com uma marca que defende uma idéia que ele acredita? Sim, claro! Ele dá umas boas risadas e se diverte com essa publicidade? Provavelmente, considerando que os filmes costumam apelar bastante para o humor. Ele se identificou com essa marca e se sentiu motivado a comprar mais dela (ou experimentá-la em casos de lançamento)? Bom, isso talvez, se a campanha for muito boa mesmo. Agora, mesmo após todos esses excelentes resultados, insisto na primeira pergunta: qual foi a real diferença que isso fez na vida do consumidor? Algo foi mudado, mexido, transformado? Bom, acho que essa até eu consigo responder: não! Praticamente nada, para não dizer nada mesmo.

[Note que essa é uma discussão sobre um conceito de idéia mais amplo e não sobre o já cliché “não deveria mais existir publicidade tradicional, ela morreu, o negócio agora é Web 2.0 e guerrilha”. Não, calma. Não é isso que quero discutir aqui.]

Uma marca que se propõe a ter uma “idéia que vai mudar o relacionamento das pessoas com ela” tem que se obrigar a fazer uma puta diferença mesmo na vida desse cara. Por isso, volto na questão inicial: em muitos casos é abismal a diferença entre o que os publicitários acham que faz diferença na vida das pessoas e o que realmente faz.

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Bom, para não ficar no discurso trangressor, mas vazio, trago um exemplo que, no meu ponto de vista, ajuda a entender o que estou querendo dizer.

A Sul América nunca foi dos anunciantes mais criativos do mundo. Na verdade, eles, assim como quase todos seus concorrentes, sempre foram bem presos em termos de comunicação. Talvez isso aconteça por essa ser uma comunicação de demanda negativa, ou seja, de produtos e serviços que as pessoas não querem ter, mas sabem que precisam, tais como seguros, planos de saúde e tudo mais. O fato é que a Sul América não tem uma big idea que baliza todos os seus esforços, fazendo dela uma marca de comunicação consistente aos olhos de seu público (e principalmente aos olhos de publicitários corneteiros).

No entanto, ela conseguiu ter uma idéia de verdade, totalmente dentro dos conceitos mais atuais e modernos de idéia. Estou falando da Rádio Sul América [92.1 FM], um veículo que foi concebido única e exclusivamente para ajudar o paulistano a fugir do trânsito, tratando 24 horas por dia desse assunto. Será que alguém aí consegue me dizer o quão importante isso pode ser para as pessoas numa cidade cada dia mais caótica em termos de trânsito como São Paulo? Difícil mensurar, né? Isso sim me parece uma idéia que de fato faz diferença na vida das pessoas. Essa idéia sim pode se colocar num status de mudança, de mexida e de transformação do relacionamento consumidor-marca.

E o mais legal é que essa idéia foi muito bem executada, usando (ainda que offline) um dos conceitos mais hypes (e mais importantes também) da internet hoje: a famosa colaboração. Na Rádio Sul América, as pessoas que estão paradas no trânsito têm espaço para entrar no ar e contar para os outros ouvintes o que está acontecendo. Isso é muito tesão porque além da puta credibilidade que a informação ganha por ser passada por pessoas na mesma situação que a gente, há um envolvimento e até mesmo um engajamento muito grande de quem se predispõe a ligar para a rádio e ajudar os outros motoristas desesperados com os engarrafamentos da cidade. O que se forma no final é um senso de comunidade importantíssimo para qualquer marca hoje.

Fora a execução da idéia em si, a sua comunicação também foi excelente, usando e abusando da mídia exterior dos relógios/termômetros da cidade. Ela foi bem simples mesmo, sem frescura. Só pra dizer que a rádio estava aí.

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Até anúncio de oportunidade rolou.

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Bom, acho que deu para entender o que eu estava querendo dizer quando apontei a diferença entre o que os publicitários acham que sua ideía é e a diferença que ela realmente faz. É claro que se essa idéia viesse partindo de uma construção de marca sólida, de um conceito bacana e tudo mais, acredito que a mensagem seria potencializada e os significados da Sul América se ampliariam para o seu público. Sem dúvida. E se isso pudesse ter sido amplificado com o poder de meios de comunicação de massa como a TV, melhor ainda para a marca.

Mas, ao meu ver, o que eles fizeram para as pessoas faz muito mais diferença do que qualquer comercial do mundo, independentemente do conceito, da execução da mídia ou do que for. A publicidade moderna tem que se ater cada vez mais a isso. Prestar serviço, promover entretenimento, entrar em contato real com o consumidor. Sair do mundo das idéias de Platão e cair no mundo real. Aquele em que muitas vezes ninguém está nem aí para os comerciais da televisão, mas que tem trânsito… muito trânsito!

Oportunidade na avenida

fevereiro 16, 2007 às 2:13 pm | Publicado em Ad, Brand | 3 Comentários

Uma das coisas que eu acho mais bacanas na publicidade é saber aproveitar oportunidades. E não estou me referindo àqueles varejões de natal, ano novo, dia das mãe, namorados e o caramba. Já até postei aqui certa vez uma oportunidade que a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul aproveitou fazendo uma paródia do famoso filme protagonizado por Daniela Cicarelli.

Carnaval também costuma ser uma boa oportunidade para as marcas falarem alguma coisa bacana para o seu consumidor. Mas normalmente, não é o que acontece. Rola muito patrocínio de cervejas (a camarotes, blocos e trios elétricos), varejo e algumas bobagenzinhas sem importância. E, claro, como já é de praxe, aquelas campanhasde do governo ou de ongs com a fatídica (mas correta) frase: “Usem camisinha”.

E foi nessa pegada “use camisinha” que Trident foi uma das marcas que melhor soube aproveitar a oportunidade nesse carnaval. Foram para o ar durante a semana uns filmetes simulando depoimentos de jovens falando da importância de usar camisinha. Então rolavam aqueles papos de amor próprio, tem que se cuidar, é fácil e rápido de usar, blá blá blá. Só que no lugar de camisinha, eles estavam falando de Trident.

Bom, é melhor vocês assistirem do que eu ficar tentando explicar. Tem versão masculina e feminina.

Achei um jeito muito bacana de aproveitar o carnaval. Foi uma mensagem muito adequada, de fácil identificação e assimilação pelo público! Além disso, esses filmetes podem ser a porta de entrada para um novo posicionamento de Trident, abandonando abordagens tradicionais como o sugar-free e o oral care para mostrar o papel emocional, do dia-a-dia que ele pode ocupar na vida das pessoas.

Olha a Pepsi aí gente!

fevereiro 11, 2007 às 1:26 pm | Publicado em Ad, Brand | 3 Comentários

Eu tenho visto tanta coisa boa da Coca Cola ultimamente e “O Lado Coca Cola da Vida” é uma idéia tão destruidora , que por um momento me esqueci que ela tinha concorrentes. Faz tanto tempo que eu só vejo coisas animais da Coca e nada da Pepsi que eu achei que a última tinha sido totalmente engolida pela primeira. Isso até que vi esse anúncio no excelente Cafeína.

Achei animal esse filme. Ele é puro entretenimento e nos faz relembrar um dos maiores clássicos do fliperama que é o Pinball. De quebra, ainda conseguem retomar o ícone da Pepsi com bastante força. Como eu tinha gostado do anúncio, fui atrás da campanha toda para ver no que dava. Deu que eu acabei achando algumas coisinhas bem interessantes que estão rolando lá na gringa. A primeira coisa que eu vi foi o outro filme da campanha, no mesmo esquema do pinball só que com uma bola de praia. Adimito que ele não é tão bom quanto o Pinball, mas é bem bacana também.

Além desses filmes, eles fizeram umas vinhetinhas para lançar as novas latinhas de Pepsi, que foram totalmente reestilizadas de acordo com temas que são bacanas para os jovens hoje, tais como música, video game, downloads, emoticons, fotografia etc.

Se vocês prestaram atenção, viram que a vinheta tenta nos levar a um site: o thisisthebegining.com. Lá, a Pepsi está promovendo um projeto opensource, ou melhor, crowdsource para a construção de outdoors interativos. Funciona da seguinte maneira: os usuários do site criam de forma colaborativa um mega stencil. Daí, a Pepsi vai publicar um deles por dia em Times Square durante 60 dias. A idéia é o tesão de ver na rua uma coisa que você ajudou a criar na internet.

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Eu achei tudo isso que a Pepsi está fazendo muito legal mesmo. Demonstra um pensamento no mínimo atual e antenado com as novas propostas de comunicação. Deu uma nova cara para o seu produto, fez filmes que entretêm as pessoas em vez de interrompê-las de forma bruta, usou a internet, levou isso para a rua e tudo mais. Agora, o que eu sinto falta de verdade é de uma idéia estratégica forte. Eles estão fazendo muitas ações, que, saparadamente, são muito coerentes e relevantes para as pessoas, mas ainda não encontraram um “lado pepsi da vida”. Isso tira muito do valor que as pessoas vêem na marca porque, por mais que gostem do que ela está fazendo, não criam algum tipo de relacionamento emocional mais forte. A relação é com a ação e não com a marca. Por isso ainda acho que a Coca Cola dá um banho de comunicação na Pepsi. Mas um banho mesmo!!

No entanto, foi muito bom recuperar a memória e ver que a a Coca Cola tem sim um concorrente e que ele não foi completamente sucumbido pelo líder.

Miopia empresarial

fevereiro 8, 2007 às 3:32 am | Publicado em Brand | 5 Comentários

Já faz bastante tempo que eu venho me sentindo extremamente incomodado com o mau relacionamento que fabricantes e prestadores de serviço têm com as pessoas. Juro que chego a ficar revoltado quando vejo algumas atitudes que são tomadas diante de uma falha corporativa contra o consumidor. Diante desses absurdos, resolvi fazer uma experiência empírica com uma amostra aleatória a fim de analisar seu residual, ou, em portugês: assim que a primeira empresa vacilasse comigo, iria reclamar formalmente para avaliar a postura que seria tomada e o quão satisfeito eu ficaria com ela.

E a oportunidade, vejam vocês, aconteceu no meio de um churrasco, quando fui temperar minha picanha com o já tradicional Sal Cisne e encontrei uma pedra consideravelmente grande misturada aos cristaizinhos de sal grosso. Então, após o churrasco, passei a mão no telefone e liguei para o fabricante contando o ocorrido. Nesse primeiro momento, até que deu tudo certo. Fui atendido rapidamente, eles falaram que iriam mandar alguém retirar a embalagem com a pedra na minha casa, que me enviariam gratuitamente outro saco de sal grosso e até me agradeceram por ter feito a reclamação e contribuído para a melhora no controle de qualidade deles.

E eis que hoje, chegando em casa, recebo do porteiro uma sacola da Cisne. Fiquei contente em ver que eles cumpriram com a promessa e até com certa rapidez. Mas, e sempre há um “mas”, não pude evitar a decepção quando abri a sacola. Dentro havia um saco de sal e, pasmem, um monte de propaganda da Cisne.

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Notem o absurdo: eu tive a dor de cabeça de reclamar de um produto defeituoso da empresa e os caras tiveram a moral de me mandar um único produto semelhante ao original e um monte de propaganda da empresa que eu tinha acabado de ter um desgaste. Digo que isso é um absurdo na medida em que é notório que as pessoas não gostam de receber esse tipo de propaganda nem normalmente, que dirá quando estão bravas com a empresa. Ah, mas não foi só isso. Recebi também uma carta informando que eles têm um site com um monte de receitas legais para eu consultar.

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Ao final da experiência, sinto que absolutamente nada mudou para mim. Isso só serviu para eu comprovar o que já pensava: as empresas não estão nem aí para o relacionamento que elas têm com as pessoas. Investem milhões em propaganda para vender seus produtos (e atingir metas de brand awareness, product interest, share of mind e essas tralhas todas) e negligenciam uma das coisas mais básicas que existem numa relação comercial. Qualquer dono de lojinha de esquina tem clareza da importância de manter um bom relacionamento com seus clientes. Não é possível que grandes corporações sejam míopes ao ponto de terem um relacionamento tão “jurídico” com as pessoas. A Cisne só me mandou um outro sal porque ela sabe o tamanho do problema que poderia ter no Procon se não fizesse isso. E o mais engraçado é o conceito “CRM” de relacionamento deles. Porque o que a Cisne fez de verdade foi me colocar no CRM dela para que possa sempre me enviar as novidades da marca. Como se eu estivesse muito interessado. Eles tiveram uma grande chance de mostrar para um consumidor insatisfeito que a Cisne era uma grande empresa e preocupadíssima com a plena satisfação dos seus clientes. Mas parece que o pensamento lá (e em muitos outros lugares) não é esse.

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Relacionamento com consumidores não se faz por meio de justiça. As pessoas esperam muito mais do que isso das empresas. Elas esperam sentir que a empresa está extremamente desconfortável com o erro dela e vai fazer todos os agrados possíveis para manter o cliente. E isso transcende em muito o conceito de justiça.

Mas não adianta, parece que não tem jeito mesmo. A maioria das empresas fazem uma gestão financeira míope de corte de gastos a todo custo em cima das coisas mais mesquinhas possíveis. Digo míope porque não conseguem enxergar o quanto vai custar no futuro essas pequenas contenções que eles fazem hoje.

Em tempo, quero engrandecer empresas que têm, em vez disso, uma gestão de marketing, com foco na satisfação incondicional dos clientes. Elas, certamente, terão um êxito substancial sobre seus concorrentes financeiros de óculos fundo de garrafa.

Só para exemplificar o que estou dizendo, vou contar resumidamente um caso que o finlandês Christian Grönroos conta em seu livro “Marketing: Gerenciamentos e Serviços”. Um grupo de 4 jovens europeus foi a um seminário nos EUA. No último dia, os meninos queriam passar na piscina as horas que lhes restava antes de ir para o aeroporto. Quando chegaram lá, o segurança os informou que não poderiam entrar, pois eles estavam arrumando tudo para uma festa que haveria lá à noite. Os jovens argumentaram que era o último dia e eles haviam esperado muito por aquele momento, dado o frio que passavam em seus países. Rapidamente, o segurança chamou o supervisor do hotel, que confirmou a posição do segurança e não permitiu a entrada deles. Mas (lembram que tem sempre um mas), disponibilizou uma limusine inteiramente grátis para levar os jovens até um outro hotel da rede onde eles poderiam ficar tranquilamente na piscina até a hora de irem ao aeroporto.

Bom, nem precisa comentar o tamanho da diferença, né?

Banco do Fulano

janeiro 18, 2007 às 3:04 am | Publicado em Ad, Brand | 1 Comentário

Muita gente andou postando nessa última semana a nova campanha do Banco do Brasil. Isso, aquela mesmo que tirou o “Brasil” da fachada e colocou nomes comuns de clientes do banco. E, diga-se de passagem, começou dando muito certo pelo menos no que diz respeito ao buzz que a ação gerou. Alguns não gostaram, mas a maioria das pessoas achou uma boa idéia do BB. No mínimo simática.

O que estanhamente eu não vi por aí foram os filmes da campanha, que lançam a assinatura “Todo Seu” e promovem a ação da fachada como principal argumento para sustentar a promessa de um banco mais próximo das pessoas, que as faça ter percepções de pertencimento, zelo, atenção etc. Há três filmes no ar, mas acho que só um deles merece algum destaque. Se ele não é a a 8º maravilha do mundo, pelo menos consegue se diferenciar da categoria, seja pelo tom, pela estrutura discursiva, pelo humor ou pela simplicidade (que vale o filme na minha opinião).

Os outros dois não valem a pena. Mais do mesmo!

As melhores idéias de 2006

janeiro 9, 2007 às 2:27 am | Publicado em Ad, Brand, Cool, Inspiring | 2 Comentários

A Contagious Magazine soltou recentemente um documento que compila todas as melhores (ou mais contagiantes segundo ele) idéias de 2006. Para isso, dividiram as idéias em 16 categorias, tais como design, gadgets, gaming, viral, event, website, branded, UGC etc.

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Sinceramente, acho que não vale a pena passar idéia por idéia que a Contagious elegeu, mesmo porque eu já postei aqui, aqui e aqui algumas delas. Mas acho que o que vale bastante a pena é fazer uma análise para tentar descobrir o que todas essas idéias têm em comum. O que elas tem de tão especial que as tornam grandes sacadas?

Lendo o documento com um pouco de cuidado e pensando durante algum tempo nessa questão, cheguei à conclusão que praticamente todas as idéias se concentram muito em entreter as pessoas, pelo meio mais bacana que há atualmente: a interatividade. Claro que hoje podemos falar que em várias dessas idéias há compartilhamento, colaboração, geração de conteúdo, brand enterteinment, customização etc. Mas acho que tudo isso acaba tendo o entretenimento pela via interativa como elemento central.

E, na boa, eu acho que esse lance de interatividade é muito mais simples de entender do que parece. Podemos usar algumas situações corriqueiras de convívio social para sacar. Por exemplo, quando você sai para jantar com aquela turma de amigos da sua namorada que ela adora, mas que você sente que não tem nada a ver com você. Você tenta ser simpático e faz de tudo pra agradar, afinal, é sua namorada e você quer participar também da vida social dela. No entanto, tenho certeza que muitas vezes você se pegou quieto, sem a possibilidade de emitir uma opinião ou um comentário. E isso acontecia ou porque você não via abertura ou porque realmente as pessoas não te davam abertura. Você até pode curtir o papo, mas como não tem muitas possibilidades de participar, não sente vontade de continuar lá por muito tempo.

Situação completamente diferente é quando você sai com seus amigos. Esse grupo de pessoas te abriga de um tal jeito que você quer falar, brincar, fazer piadas, dar opiniões, fazer comentários e tudo mais. Porque você sente que pode fazer isso, que aquele grupo te possibilita essa interação. Resultado: você quer sair mais, de novo e de novo.

Eu acredito que seja bem essa a lógica da interação que a maioria das boas idéias apontadas pela Contagious proporciona. Elas têm a capacidade não só de prender a atenção do receptor, mas também de fazer com que ele responda, comente, reproduza e, principalmente, espalhe.

Para não ficarmos só nas idéias senso comum do tipo YouTube, MySpace, Second Life, Wii, blá, blá e blá, vamos pegar alguns exemplos diferentes dentro da seleção da Contagious. Um deles é a categoria Retail, em que as três melhores lojas do ano foram Nokia, Apple – ambas em NYC – e Nike em Londres. Desses três, acho que o exemplo que mais vale a pena comentar é o da Nokia, que teve a sacada de conectar celulares a telas LCD gigantes. A idéia era fazer com que as pessoas enviassem mensagens dos celulares expostos na loja e que elas fossem reproduzidas diretamente nas telas. Nem precisa falar que divertido e que puta experiência de consumo que isso era para as pessoas que entravam lá.

Para a Nokia, vender celular ali era certamente o de menos. O que a marca ganha em termos de imagem e awareness com isso já paga a conta do investimento e sobra um bocado, mesmo sem vender um dólar.

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A categoria Ambient também é uma boa para falar de interatividade. Os campeões foram a IKEA com o seu mobiliário urbano, o Mc Donalds com seu relógio solar e Adidas com aquela bola gigante.

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Todas são maneiras muito interessantes de entrar em contato com as pessoas de uma forma diferente e interativa. Quão bacana é você poder esperar seu ônibus sentado no sofazinho que a IKEA montou ali? E vai falar que não é no mínimo curioso que dependendo da posição do sol o Mc Donalds te indique um prato? E, principalmente, quem não queria ter voado dentro daquela bola de futebol gigante que a Adidas montou na Nova Zelândia? Isso tudo é a marca interagindo e entrando na vida das pessoas de um jeito especial, proporcionando-lhes alguns bons e memoráveis momentos de entretenimento.

Por fim (até porque esse post já passou os limites aceitáveis de texto na internet), acho legal falar da categoria Event. Os três eleitos são bacanas, mas quero dar destaque apenas para o Greenspace da Heineken. Na verdade, ele começou com um evento, mas hoje é muito mais do que isso. A sacada da marca foi revitalizar um bairro em Valência na Espanha e aproveitar para construir lá um espaço próprio, voltado para o desenvolvimento de criatividade (arte, música, design, filmes etc.). Depois do festival de lançamento, esse espaço é aberto diariamente para que as pessoas possam bater papo e desenvolverem suas idéias num espaço fértil para tal. Tudo sob o “sponsor” da Heineken, que dessa maneira, tornou-se extremamente relevante na vida das pessoas daquele bairro e até mesmo daquela cidade.

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A última conclusão que eu consigo tirar disso tudo, além do que eu já falei a respeito de entretenimento e interatividade, é que não é só na internet que moram as grandes idéias.  Todo mundo fala que o futuro da publicidade é na internet, mas acho que não é bem assim. Certamente ela terá papel cada vez mais fundamental no lançamento e suporte das campanhas, só que eu penso que o futuro da publicidade estará onde uma boa idéia estiver. E com uma boa idéia, quero dizer algo que altere o relacionamento das pessoas com as marcas, que lhes ofereça entretenimento, que interaja e que ganhe cada vez mais espaço em suas vidas. E essas idéias certamente podem, sim, estar nas ruas, nas lojas, nas praças, nas casas de shows e onde mais um cérebro criativo possa alcançar.

O lado Coca Cola da Música

janeiro 4, 2007 às 2:13 am | Publicado em Ad, Brand, Cool | 15 Comentários

Vem aí mais uma ação bacana da Coca-Cola dentro do já consagrado posicionamento “Viva o Lado Coca-Cola da Vida” (“Live the Coke Side of Life”). Amanhã estréia num break exclusivo de 60″ durante o Jornal Nacional a campanha Viva o Lado Coca-Cola da Música, desenvolvida pela JWT.

A idéia estratégica gira em torno do conceito de hibridismo, celebrando as misturas legais que a música pode produzir desde que as pessoas estejam abertas para isso. Se você não gostar nem de Zezé de Camargo e Luciano, nem de Sepultura, por que você não pode gostar do resultado dessa fusão? O “Lado Coca-Cola da Música” é essa cabeça aberta, essa possibilidade de fusão e de hibridismo, sem preconceitos ou pré-julgamentos. O jovem curte isso. É cool ter a mente aberta para possibilidades, por mais bizarra que elas sejam. E outra coisa: eu não conheço nenhum jovem que não tenha uma ligação especial com música de algum jeito. Enfim, acho que foi uma ótima sacada da Coca-Cola e tem tudo pra dar muito certo, principalmente se a campanha transcender os meios convencionais e contemplar também ações de brand enterteinment, geração e compartilhamento de conteúdos, interatividade online e outras inúmeras outras possibilidades mais relevantes e envolventes para o target.

Mas de qualquer forma, vou postar aqui em primeira mão o filme e os prints, que são excelentes, diga-se de passagem. A execução em 30″, conseguiu passar de um modo muito divertido a idéia estratégica e os prints têm uma direção de arte de dar gosto.

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UPDATE: a idéia estratégica da campanha desse projeto de música para Coca-Cola é da JWT, no entanto, os filmes de 30″ e 60″ foram criados pela argentina Santo. Os prints também são da JWT, criados por Roberto Fernandez e equipe.

E a Nike também está animada

outubro 15, 2006 às 10:46 pm | Publicado em Ad, Brand, Cool | 1 Comentário

Ainda no embalo das animações, vale a pena conferir esses dois filminhos de Nike. Eles tem uma cara meio de game e a produção é levemente amadora. 

Mas isso tem a ver com a idéia do filme, que é a possibilidade de praticar ao mesmo tempo altos esportes hard como motocross, skate, surf, snowboard etc. Claro que no final, tudo converge para a marca que está no cenário e na pegada de todos esses esportes: NIKE!

Valeu a dica, Ken

Valeu o help, Yassuda

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