The Oscar Goes To…

fevereiro 14, 2007 às 2:03 am | Publicado em Ad, Cine, Cool | 1 Comentário

Com todo esse agito pré-Oscar, a Fox aproveitou para dar mais uma divulgadinha no longa dos Simpsons que estréia ainda esse ano. São os palpites do astro Homer Simpson.

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Alguém mais achou que os palpite/comentários do Homer são muito melhores do que os do mala do Rúbens Ewald Filho ou fui só eu?

Dica do Ilustrada no Cinema

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Diamantes de Sangue

janeiro 30, 2007 às 1:02 am | Publicado em Cine | 6 Comentários

Fui ao cinema nesse final de semana assistir a Diamantes de Sangue. Mas confesso que fui mais pelo Leonardo di Caprio e pelo Djimon Hounsou (não me levem a mal, mas os caras foram indicados ao Globo de Ouro e estão indicados ao Oscar).
Pra ser bem honesto, tive uma grata surpresa com o filme. Primeiro porque os atores não me decepcionaram em nada. A indicação foi super justa, especialmente para Hounson, que está impecável no papel de Solomon Vandy. Além disso, o filme em si é muito bom. Só não digo que é um puta filmasso porque ele tem alguns pecados mortais de filmes comerciais hollywoodianos. Mas tudo bem, não acho que isso diminua muito filme, só não o credencia a, por exemplo, estar entre os grandes do ano.

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Enfim, o filme conta a historia de Solomon Vandy, pescador da etnia Mende e Danny Archer, mercenário do Zimbábue, sob o pano de fundo dos cartéis mundiais de diamantes que financiavam a devastadora guerra civil que assolou a Serra Leoa nos anos 90. Toda a ação do filme gira em torno de um diamante raro que Solomon encontrou nas minas tomadas pelos insurgentes da F.R.U (Forças Revolucionárias Unidas) e da jornalista Maddy Bowen (Jennifer Connelly), que está atrás da verdade sobre como o caminho que os diamantes percorrem desde a sua extração ilegal nas minas até a sua venda nas grandes joalherias do mundo, passando por muita luta por poder, ambição, guerra, sangue e sofrimento.
Para mim, a grande sacada do diretor Edward Zwick é usar esse gancho do diamante raro e da jornalista para dar ação ao filme (e vender ingresso) enquanto faz um grande trabalho documental, mostrando todo o jogo de interesses no contrabando de diamantes de sangue e o sofrimento do povo de Serra Leoa em virtude disso, tanto nas mãos do governo, quanto nas mãos dos rebeldes, que formavam, inclusive, exércitos de mini-soldados para servirem de infrantaria na sua luta pelo poder. Outro grande trunfo do filme é a direção de fotografia de Eduardo Serra, que é realmente um show a parte e vale nosso ingresso.

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No entanto, como eu disse no início do post, o filme tem uns pecados mortais que não o deixam ser brilhantes. A maioria deles são desníveis morais inaceitáveis que os personagens apresentam para poderem ser melhor aceitos pelo grande público. Fora isso, alguns dos grandes estereótipos de hollywood estão claramente apresentados: o mocinho pobre, que faz tudo pela família e de repente vê uma oportunidade de se dar bem na vida; o anti-herói que a gente vai notando que não é tão ruim assim; a idealista que acha que vai mudar o mundo com uma meia dúzia de palavras publicadas numa revista de grande circulação… e por aí vamos.
Mas fazer o quê? Eu não vou dar aqui uma de riponga cult ou comunista frustrado e achar que isso é um absurdo, uma vergonha, que deveria cair uma bomba em cima de Hollywood para ver se alguns diretores tomam vergonha na cara e começam a fazer filmes decentes que façam realmente jus a alcunha de Sétima Arte. Tenho plena consciência que o cinema  é  uma indústria, que, assim como todas as outras, vive de ganhar dinheiro, turu, money, cash, gaita, bufunfa ou como você costuma chamar o vil metal.
Sei que estou correndo o risco aqui de alguém apontar na minha cara e dizer que a história do cinema está cheia de obras primas do ponto de vista técnico que foram também sucessos de público, o que, teoricamente, contraria o que eu estou dizendo aqui, mas… espera um pouco. Quantos desses vocês vêem no Cinemark por ano?

Pequena Miss Sunshine

janeiro 24, 2007 às 3:02 am | Publicado em Cine | 5 Comentários

Não sei o que está acontecendo, mas nos últimos tempos cismei em ver só comédias (o segundo gênero que menos gosto, só ficando a frente de terror). Escrevi aqui semana passada sobre o excepcional Borat, que de tão bom acabou levando o Globo de Ouro como melhor filme de comédia/musical. Pois bem, não contente em ver o premiado, fui assistir ao derrotado (mas indicado hoje ao Oscar de melhor filme) Pequena Miss Sunshine.

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E, assim como Borat, o filme foi uma grata surpresa. Digo isso porque desde o começo ele tinha tudo pra dar errado. Nos primeiros 20 minutos, a impressão que dava é que seria um daqueles filmes americanos clichés, que contam a história de uma família desunida, construída a base de estereótipos (desde a mãe multifacetada até a criancinha fofa, passando pelo adolescente problemático), que se une durante uma aventura cheia de percaussos. Tá aí: era a receita perfeita para um filme horroroso que faz você se odiar só por ter saído de casa.

Na verdade, o filme era quase isso. Tinha tudo que escrevi acima, mas sem um detalhe: o cliché. Apesar de ser uma roteiro meio (bondade minha) manjado, a dupla de diretores Johnatan Dayton e Valerie Faris conseguiu fazer uma execução acima de qualquer suspeita, conduzindo o elenco com maestria e contando a história de uma forma extremamente leve e divertida. E o principal, sem apelar para o grosseiro e o piegas, como é tão comum nas comédias americanas desse estilo.

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O filme começa mostrando um momento que define cada personagem, como se fora uma introdução de cada um aos espectadores. Poucos momentos depois, vemos todas aquelas pessoas na mesma mesa, dividindo o mesmo frango frito de todos as sexta-feiras. Eis que a rechonchuda e desengonçada Olive (Abigail Breslin), a caçula da família lá pelos seus 7 anos, recebe a notícia de que irá participar do maior sonho de sua curta vida: o concurso de beleza Pequena Miss Sunshine. Da decisão de ir à Califórnia até o momento em que a menina sobe no palco para se apresentar, é uma confusão atrás da outra. Tudo vai dando muito errado e eles conseguem quase por um milagre que Olive consiga concorrer.

Toda essa epopéia até a Califórnia é divertidíssima, mas nada se compara ao final do filme, um grande clímax que joga luz sobre aquela família para que possamos ver de fato o tipo de sentimento que eles guardam um pelo outro. E, insisto, sem ser cliché! É claro que, por se tratar de uma comédia, temos um belo happy end, mas isso não desmerece o filme em nada, porque, se você forem assitir ao filme verão que há happy ends e happy ends.

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Acho que Pequena Miss Sunshine não vai levar o Oscar. E nem deve. Mas certamente é um filme que vale a pena ser visto pelo menos para dar umas risadas mais inteligentes do que normalmente fazemos no Cinemark.

Ainda na série “filmes de comédia”, aluguei o clássico Annie Hall, do Woody Allen. Eu já estava ficando constrangido por nunca ter visto, mas dei um jeito nesse final de semana. E isso é tudo que tenho a dizer sobre o filme, porque certamente não tenho competência para falar nem o mínimo aceitável sobre qualquer filme desse gênio que é o Woody Allen.

Borat

janeiro 13, 2007 às 9:09 pm | Publicado em Cine, Cult | 2 Comentários

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Ontem fui com a minha namorada e meus cunhados pela primeira vez ao já famoso Noitão do HSBC Belas Artes. Pra quem ainda não o conhece, trata-se de um evento muito bacana que consiste em passar 3 filmes “cult” ao longo da madrugada. Além do inusitado de virar a madrugada no cinema, o evento chama atenção pelo público super animado, pelos sorteios nos intervalos e pelo café da manhã na saída. Como amante de cinema, claro que sempre tive muita vontade de participar do Noitão, mas vou ser honesto e confessar que o que me levou até lá não foi o evento, mas sim a vontade de ver a sensação do momento nos EUA: Borat.

Outra confissão que eu devo fazer é que descobri esse filme muito por acaso. Estava zapeando a TV descompromissadamente quando parei para assistir ao excelente David Latterman. Nesse exato momento, ele estava anunciando um de seus convidados, o humorista judeu e britânico Sacha Baron Cohen, que estava estreando um filme chamado Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América . De repente, entra um cara de terno, muito alto e com um bigode igualmente grande. Em agradecimento as palmas da platéia, ele começou a dançar, beijar o apresentador, fazer a a maior confusão para sentar, além de zoar com o líder da banda do programa, Paul Shaffer. Acho que melhor do que meu relato é vocês assistirem a uma parte da entrevista.

Assim que acabou a entrevista, fui pesquisar mais sobre esse filme e a cada matéria eu ficava com mais vontade ainda de assistir. Tava na cara que ia ser muita risada garantida. E, cá pra nós, está cada vez mais difícil fazer isso no cinema.

Essa impressão que eu tive acabou mais do que se confirmando do decorrer do filme. Sem exageros, de todas as comédias a que eu assisti, Borat foi a que eu ri com mais constância. A idéia de Sacha Baron Cohen foi criar um repórter e fazer um falso documentário, a fim de conhecer mais a cultura norte americana e levar valiosas lições ao seu “glorioso país”, o Cazaquistão, que perecia de problemas sociais, econômicos e… judáicos, segundo o próprio Borat.

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Uma das coisas que eu achei mais legal do filme é como ele consegue, por meio de um humor ácido e satírico que extrapola em muito as barreiras do politicamente correto e socialmente aceito, expor vários tipos da sociedade norte-americana, tais como o racista, o conservador, o belicista entre outros. Todos esses tipo acabaram sendo um prato cheio para Borat poder fazer suas piadas e causar muito constrangimento a quem ele entrevistasse. É muito engraçado também perceber as reações reais das pessoas frente às loucuras de Borat. Elas ficavam espantadas, enojadas, temerosas e algumas até agressivas frente a seu humor multifacetado que vai desde o satírico-irônico até o escatológico e pastelão, passando sempre pelo escrachado e caricata. Enfim, é uma farra.

Eu acho que esse filme é imperdível, seja pela idéia, pelo ator ou pela risada, que como eu disse anteriormente, é 100% garantida. Mas para quem depois de tudo isso ainda não acredita em mim, tem a chance de ver com seus próprios olhos o trailler do filme que deve estrear em fevereiro aqui no Brasil.

Pra finalizar, queria listar alguns resultados práticos que as confusões do Borat trouxeram.

1) Ódio do povo e do governo do Cazaquistão, que achou um desrespeito o que ele fez com o país;

2) Ódio dos ciganos romenos, que são retratados como estupradores e assaltantes;

3) Ódio de anônimos que participaram do filme e se sentiram lesados moralmente;

4) Ódio de um anônimo em especial, que foi vítima de uma piada de Borat e revidou com um soco em seu nariz;

5) Ódio de Kid Rock, marido de Pamela Andresson, que teria ficado louco da vida com a participação dela no longa no papel de paixão platônica do repórter assim que chegou à América. Rolou até pedido de divórcio.

E aí, vale ou não vale o ingresso?

007 Cassino Royale

dezembro 19, 2006 às 4:06 pm | Publicado em Cine | 2 Comentários

Eu vou arriscar escrever sobre o filme 007 Cassino Royale, mesmo sabendo que eu sou suspeitíssimo para fazer isso. Desde criança sou fã do James Bond, tenho todos os filmes na minha casa e toda vez que eu ouço a música tema começo a reprouzí-la de algum jeito.

Acho que foi muito por isso que fiquei com um pé atrás quando soube que o loirinho de olhos azuis Daniel Craig seria o 6º homem a atuar no papel do agente do serviço secreto inglês com permissão para matar. Achei que o cara iria acabar com o personagem. Ele é malhadão, feio, mauricinho, enfim, nada a ver com o clássico James Bond.

Por sorte eu queimei minha língua já que Daniel Craig se mostrou um 007 muito competente e certamente muito melhor que os seus dois antecessores Timothy Dalton e Pierce Brosnan, que eram muito fracos para carregar o peso da famosa Walther PPK de Bond.

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Cassino Royale é a primeira novela da série 007, escrita pelo lendário Ian Fleming. Ela começa quando James Bond tinha acabado de ser promovido a agente 00, ou seja, aqueles com permissão para matar. E o bacana disso é que por se tratar do primeirão, muita coisa que acontece com o personagem no decorrer da série é explicada em Casino Royale. Algumas de suas maiores características e atitudes são frutos de acontecimentos dessa sua missão contra a rede de fincanciamento a terroristas e guerrilheiros na África.

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A atuação de Daniel Craig e o roteiro contribuem muito, mas não é só por isso que eu arrisco dizer que Casino Royale é (com o pé nas costas) o melhor filme da série nos últimos 20 anos.

Acho isso porque parece que os donos da franquia tomaram uma decisão acertada: recuperar o clássico 007 das décadas de 60 e 70. Aparentemente, eles enfiaram na cabeça que James Bond não é um super herói com um cinto de utilidades do ano 2120 e nem tem a pretensão de ser o Ethan Hunt de Missão Impossível. O agente do serviço secreto inglês se destaca por sua classe, elegância, charme, habilidade com as mulheres e, é claro, seu humor sarcástico pra lá de refinado. Eu sei que a tecnologia é um atrativo difrente dos filmes (até pela quase sempre certa presença do inventor maluco Q, que acabou não dando as caras em Casino Royale), mas nunca poderia ter sido protagonista deles como nos últimos.  

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Caso a idéia tenha sido mesmo retomar as raízes do personagem, Casino Royale acertou em cheio e Daniel Craig também. Se a mentalidade dos donos da franquia continuar essa e Craig aproveitar todo o potencial que tem na pele de Bond,  é bem possível que tenhamos uma leva de ótimos filmes durante os próximos anos. E que assim seja!!

Tenho que fazes um PS nesse post porque não dá pra falar de 007 sem mostrar aquelas aberturas iniciais, que já fazem parte da história do cinema e são parte da expectativa dos fãs do agente. 

E a abertura de Casino Royale foi mais uma bola dentro do filme. A direção de arte é fantástica, o design é lindo e a trilha também é muito legal (“You Know My Name”, na voz de Chris Cornell, atual líder do Audioslave). 

Mais um Olé de Almodóvar!

dezembro 12, 2006 às 4:34 am | Publicado em Cine, Cult | 5 Comentários

Volver é o mais recente filme de Pedro Almodóvar, um dos meus diretores de cinema favoritos (senão o favorito). Só que não foi apenas mais um filme que passa como todos os outros. Volver é uma grande obra que não fica devendo em nada para os grandes clássicos do espanhol como “Tudo Sobre Minha Mãe”, “Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos” e “Ata-me”.

Aliás, o diretor espanhol é um dos raros casos de cineatas que não declinam com o tempo como é o caso de Oliver Stone e do próprio Martin Scorsese, que ensaiou uma sobrevida com “Os Infiltrados”, mas que acabou ficando bem longe de alguns de seus clássicos (“Bons Companheiros”, “Taxi Driver” e “Casino”). Almodóvar consegue praticamente uma façanha por ter filmes muito bons sempre.

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O filme é bom em tudo, mas se sobressai principalmente em dois aspectos: o roteiro e as atuações, o que aliás não é novidade vindo de quem vem. O roteiro sempre surpreende muito com situações inusitadas, mas altamente reais e contadas de forma poética e não sensacionalista; e os atores nas mãos de Almodóvar dão um show a parte na telona.

Em Volver, Penélope Cruz está muito bem no papel da protagonista Raimunda, que vive uma situação muito complexa entre sua filha, seu marido, sua mãe, sua irmã e sua tia com desdobramentos inesperados típicos da filmografia do espanhol. Destaque especial para a linda cena em que Raimunda chora calada no momento em que é tratada como objeto sexual por seu embriagado marido Paco.

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Talvez a única coisa que eu tenha sentido um pouco de falta por se tratar de Almodóvar foi uma presença mais marcante da Loucura, personagem da maioria de seus filmes e de todos os seus clássicos. A loucura retredada pelo espanhol é riquíssima, já que na maioria das vezes além de sem limites ela é obsessiva e frequentemente onírica, buscando a todo custo a materialização de desejos surreais, que por incrível que pareça surgem de momentos epifânicos e não de contextos complexos.

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De qualquer forma, o filme é incrível no tratamento equilibrado que dá a tragédia e a comédia, que prende a atenção do espectador ora pela reflexão, ora pelo suspense, ora pelo drama e ora pelo puro entretenimento. Um filme que mais do que completo em suas questões técnicas aborda a vida de uma forma muito real, sem apelar para clichês, dramatizações forçadas e conteúdo sensacionalista.

Ao melhor estilo espanhol, um Olé de Pedro Almodóvar!

     

    

O maior amor do mundo

setembro 10, 2006 às 3:21 pm | Publicado em Cine | 1 Comentário

Cinema é certamente meu hobby favorito. Ver, falar sobre, pesquisar, estudar… tudo sobre cinema me interessa. Tento sempre me manter atualizado sobre o que está acontecendo nas telas (sites, blogs, podcasts, etc.) e também resgatar o passado da infinidade de filmes clássicos fantásticos que eu ainda não vi (mas verei). Quando tenho tempo, sempre tento ir ao cinemas lá da paulista, ler sobre cinema, pesquisar a vida dos grandes atores e diretores e conhecer mais sobre o cinema alternativo e underground que eu adoro também. Ficar só no mainstream é bobagem…Só para exemplificar, nesse feriado (que eu estou atolado de trabalho até a garganta), aluguei três filmes: O Corte de Costa-Gravas (excelente crítica sobre a competição sem leis que é o capitalismo atual), O Segredo de BrokeBack Mountain (que não foi injustiçado no Oscar na minha opinião frente a Crash) e Nascidos em 4 de julho de Oliver Stone que sinceramente dispensa comentários (sou suspeito porque sou fã de carteirinha do Stone). Além disso, ainda fui ao cinema assistir O Maior Amor do Mundo de Cacá Diegues e vou falar um pouco sobre ele, porque foi um filme que me fez recuperar a esperança no cinema nacional. (veja o trailer aqui)

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Andava muito desanimado com a palhaçada (literalmente) que o cinema brasileiro andava apresentado a seus espectadores. Só comédia romântica água com açucar, pastelões ou filmes históricos sem propósito. O Maior Amor do Mundo conseguiu recuperar das cinzas meu ânimo com o cinema nacional por ser um filme que alia crítica social com um muita carga de lisrismo e poesia descarregados na fotografia de Lauro Escorel, na Música de Chico Buarque e no personagem Antonio representado por José Wilker numa das suas melhores atuações que vi (e uma das melhores que vi de atores em filmes nacionais no últimos tempos).

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O filme mexe a todo tempo com a fusão de passado e presente, fantasia e realidade, miséria e fartura, o que por si só já lhe confere um diferencial. A maioria deos filmes nacionais mantém aquele roteirinho xoxo, linear, estereotipado nas fantasias e tudo mais. Agora, eu só discordo um pouco da crítica (e até mesmo do próprio Diegues) que apontou O Maior Amor do Mundo como sendo principalmente um filme que fala sobre o Brasil e sua realidade (ouça a crítica de Arnaldo Jabor de 6 de setembro). Eu sinceramente acho que esse filme tem como cenário a periferia urbana carioca (suja, miserável, entregue ao crime e à violência desumana), mas trata centralmente das angustias e aflições de um homem que doou a vida ao trabalho e agora que está a beira da morte quer recuperar um pouco da sua origem, conhecendo o passado e o ambiente de sua já morta mãe biológica. As expressões de Wilker e o roteiro de Diegues conseguem deixar surpreendentemente poético esse enredo aparentemente clichê. Tudo o que Antonio faz (fuma maconha, transa pela primeira vez, se mete no meio do lixo para ver as estrelas que costumava estudar nos laboratórios de Boston) é com um deslumbre, com uma incerteza e de forma tão atordoada que chega a deixar seca a garganta de quem assiste. O Maior Amor do Mundo merece palmas de pé, diferentemente do monte de porcaria que tem sido feitas aqui no Brasil, que não merecem nem sequer o resto dos meus comentários.

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